Numa tentativa de conter a inflação em Moçambique, Silvina Abreu, uma das principais responsáveis pelo Banco de Moçambique (BM), sugeriu a possibilidade de a economia ter de enfrentar dificuldades a curto prazo. A decisão, que surge em resposta às críticas empresariais, advém da implementação de medidas de política monetária.
A sra. Abreu defendeu esta posição durante um evento organizado pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), alegando que apesar da economia poder sofrer temporariamente com os efeitos dessas políticas, tal seria no interesse de um benefício mais amplo. A missão do BM é fazer com que, uma vez superada esta fase, se registe uma redução da inflação, o que beneficiará todos os agentes económicos e famílias envolvidos no mercado.
A questão sobre o alcance máximo das medidas de política monetária ainda paira no ar, sem que a Sra. Abreu ofereça um compromisso claro. O nó górdio reside no aumento das reservas obrigatórias que os bancos comerciais devem manter junto do banco central. O regulador decidiu recentemente aumentar essas taxas para 39% dos passivos em moeda nacional e 39,5% no caso de moeda estrangeira, marcando a segunda subida do ano.
A inflação homóloga em Moçambique teve um decréscimo em Abril para 9,6%, o valor mais baixo em 12 meses. Apesar de a justificação oficial para o aumento das reservas ser a absorção da liquidez excessiva no sistema bancário, empresários receiam que a decisão tornará o financiamento bancário ainda mais oneroso. Esta medida impactará particularmente as pequenas e médias empresas, aumentando as dificuldades financeiras.
Oldemiro Belchior, vice-presidente do pelouro de Política e Serviços Financeiros da CTA, frisou as adversidades que as empresas enfrentarão. O aumento das reservas obrigatórias dará lugar a uma subida das taxas de juro e o serviço da dívida "vai agravar-se, não só para quem procura crédito, como também para quem já beneficia".
João Figueiredo, presidente da Câmara de Comércio Portugal-Moçambique e uma figura proeminente no sector bancário moçambicano, expressou que tal política irá resultar num aumento das taxas de juro e num impacto negativo em toda a economia, afectando desde grandes empresas até famílias individuais.
Apesar de reconhecer a pressão a curto prazo, Silvina Abreu nega a ideia de que a política monetária seja a única responsável pela escassez de crédito na economia. A sra. Abreu incentiva o sector bancário a adoptar abordagens mais "criativas" para possibilitar o financiamento da economia e afirma que o BM está a cumprir o seu papel, sem o qual a inflação poderia crescer além do aceitável.
