Durante mais de quatro séculos, o mundo habituou-se a olhar para mapas que não representam fielmente a dimensão dos continentes. A projecção de Mercator, concebida para orientar os navegadores nos oceanos, tornou-se uma das representações mais difundidas do planeta. Mas a sua utilidade para a navegação esconde uma distorção geográfica: os territórios parecem progressivamente maiores à medida que se afastam do equador, criando uma percepção desproporcionada da superfície terrestre.

A 4 de Setembro de 2026, a Assembleia-Geral das Nações Unidas deu um passo no sentido de corrigir essa representação. Com 164 votos favoráveis e apenas um contrário, aprovou a resolução “Correct the Map”, que defende a utilização da projecção “Equal Earth” (Terra Igual), concebida para apresentar os continentes de acordo com as suas proporções reais.

Embora não tenha carácter vinculativo, a resolução incentiva governos, instituições de ensino, órgãos de comunicação social, organizações internacionais e plataformas tecnológicas a privilegiarem mapas de área equivalente, sobretudo quando o objectivo é comparar a extensão territorial de diferentes regiões do planeta.

Desenvolvida em 2018, a projecção “Equal Earth” procura corrigir uma das principais limitações dos mapas tradicionais: a representação desigual das superfícies continentais. Para preservar as proporções reais das áreas, introduz alterações nas formas geográficas, demonstrando que nenhuma representação plana consegue reproduzir integralmente a superfície curva da Terra sem alguma distorção.

É na comparação entre África, o Canadá e a Gronelândia que essa diferença se torna particularmente evidente. Nos mapas de Mercator, a Gronelândia surge visualmente quase tão extensa como o continente africano. Os números, porém, revelam uma realidade muito diferente: África ocupa aproximadamente 30,4 milhões de quilómetros quadrados, uma superfície cerca de 14 vezes superior à da Gronelândia.

O Canadá, com uma extensão próxima dos dez milhões de quilómetros quadrados, também aparece consideravelmente ampliado na projecção de Mercator, devido à sua posição geográfica no hemisfério Norte.

A adopção de mapas de área equivalente representa, assim, uma mudança na forma de visualizar o planeta. Mais do que alterar o desenho dos continentes, a iniciativa procura aproximar a representação cartográfica das suas verdadeiras dimensões, devolvendo a África a proporção territorial que durante séculos permaneceu visualmente reduzida nos mapas mais utilizados.