No âmbito da celebração do Dia da Noruega, a Galeria do Porto de Maputo abriu portas, no passado 16 de Maio, à exposição "Independência Africana. Solidariedade Norueguesa.", que recordou a relação da Noruega com as lutas de libertação africanas e os intensos anos da descolonização. Presidida por Haakon Gram-Johannessen, Embaixador da Noruega em Maputo, a cerimónia de inauguração contou com a ilustre presença de Maria Helena Kida, Ministra da Justiça de Moçambique, bem como de diversos políticos, académicos, artistas e outros convidados.
Com um rico conjunto de fotografias e documentos, a exposição ilustrou a colaboração entre a Noruega e os movimentos de libertação de países da África Austral, com histórias que evidenciaram a solidariedade do povo norueguês, simultaneamente destacando figuras icónicas como Eduardo Mondlane, Samora Machel, Julius Nyerere, Kenneth Kaunda e Nelson Mandela, entre outros, e o envolvimento activo dos seus movimentos e organizações, que simbolizavam a luta contra o colonialismo, o apartheid e a injustiça social.
Se grande foi o apoio moral de muitas pessoas na Noruega sensibilizadas pela importância e premência dessa luta, significativas foram também as contribuições de fundos públicos noruegueses. Na sequência de várias visitas efectuadas por Eduardo Mondlane, o Instituto Moçambicano (uma instituição da FRELIMO em Dar es Salaam dedicada a educação) recebeu 200.000 coroas norueguesas. Esse valor aumentou substancialmente em 1971, quando a Comissão Parlamentar dos Negócios Estrangeiros da Noruega reconheceu a importância de apoiar também as zonas libertadas no norte de Moçambique. E o que começara como apoio a um projecto educativo foi abrindo portas a um apoio mais directo aos movimentos de libertação, e depois aos países libertados, em domínios cada vez mais amplos e diversificados.
Para além dos aspectos políticos e financeiros atrás aludidos, a exposição celebrou a riqueza cultural e a expressão artística como ferramentas de mobilização, resistência e união. Fotografias impactantes, como a do pintor e poeta moçambicano Malangatana Valente Ngwenya no desfile de 1º de Maio em Oslo em 1987, e da Orquestra Marrabenta Star de Moçambique com a cantora Mingas em concertos na Noruega, demonstraram como a cultura moçambicana foi essencial para sensibilizar e mobilizar apoio internacional.
A mensagem central da exposição ficou bem patente em palavras ditas e escritas que reconhecem a importância da solidariedade internacional. Haakon Gram-Johannessen enfatizou a necessidade de se recordarem e honrarem estas alianças históricas, sublinhando que a cooperação entre nações pode realizar feitos extraordinários: “Devemo-nos lembrar, a nós e às gerações mais novas, de tudo o que pode ser alcançado quando se atravessam divisões nacionais e étnicas e se entra em acção – como irmãos e irmãs da humanidade”. Por seu lado, o Director Executivo da Liliesleaf Trust, entidade empenhada em garantir que o papel da comunidade internacional no apoio à luta pela libertação na África Austral nunca seja esquecido, deixou expresso o objectivo final almejado “Esperamos que reacenda a chama da solidariedade internacional como forma de enfrentar as novas ameaças à paz e segurança global”.
Com efeito, além de homenagear os laços entre a Noruega e os países africanos, a exposição itinerante "Independência Africana. Solidariedade Norueguesa." procurou servir de inspiração às novas gerações na luta pela justiça, igualdade e paz, recordando o poder da união e da colaboração na construção de um futuro melhor para todos.
Esta exibição da contribuição da Noruega à descolonização e libertação na África Austral, já apresentada em diversas cidades africanas, faz parte de uma série de exibições de solidariedade internacional em Liliesleaf, na África do Sul, sendo a expressão do compromisso de Liliesleaf para assegurar que o papel da solidariedade internacional na luta pela liberdade e justiça não fique esquecido. Liliesleaf, local em que se discutiu a derrota do regime do apartheid e onde os líderes dos movimentos de libertação se refugiaram na luta para que a África do Sul se tornasse não racial, justa, unida e democrática, é um local de memória que celebra a longa jornada pela democracia na África do Sul, que continua até hoje.
