A crescente automatização impulsionada pela inteligência artificial (IA) generativa coloca em risco um número desproporcional de empregos ocupados por mulheres, revela um novo estudo. A pesquisa indica que 79% dos postos de trabalho na área do apoio administrativo – uma das mais susceptíveis à automação – são ocupados por mulheres.
De acordo com um relatório do Goldman Sachs, cerca de 300 milhões de empregos a tempo inteiro nos Estados Unidos e na Europa poderão ser automatizados com o avanço desta tecnologia. Contudo, o impacto não será uniforme entre os géneros.
Mark McNeilly, professor de Marketing na escola Kenan-Flagler e autor principal do estudo, explica que a divisão do mercado de trabalho coloca as mulheres numa posição mais vulnerável: "Nos homens, há um equilíbrio de 50-50 entre empregos de colarinho branco e azul. Já entre as mulheres, 70% trabalham em funções cognitivas, mais expostas à automação", referiu à Euronews Next.
Além dos cargos administrativos, outros sectores tradicionalmente ocupados por mulheres enfrentam riscos semelhantes. Os cuidados de saúde (76%), a educação (73%) e os serviços comunitários e sociais (67%) são algumas das áreas em que a IA poderá ter um impacto significativo.
Apesar das ameaças, especialistas sublinham que a IA também pode criar novas oportunidades. A tecnologia pode ajudar a optimizar tarefas repetitivas, permitindo que profissionais se concentrem em actividades mais estratégicas e humanas. No sector da saúde, por exemplo, a IA pode fornecer suporte no diagnóstico e aconselhamento, libertando tempo dos profissionais para um acompanhamento mais personalizado dos doentes.
McNeilly defende que, para sobreviver a esta transição, os trabalhadores devem adoptar a IA, aprender a utilizá-la eficazmente e procurar diferenciar-se no mercado de trabalho.
