Na semana de 20 a 26 de Novembro, a cidade de Maputo foi palco de um evento que fica marcado na história da dança contemporânea africana. A 10ª edição do KINANI – Bienal Internacional de Dança Contemporânea, conjugada com a 17ª edição da Bienal de Dança em África, trouxe um espectáculo de cor, movimento e expressões culturais, transformando a capital moçambicana na anfitriã de uma celebração artística sem precedentes. Na verdade, o festival KINANI, desde sua criação em 2005 que se foi estabelecendo como um farol da dança contemporânea no continente africano. Este ano, em sinergia com a ‘Biennale de Danse en Afrique’, elevou a fasquia, reunindo estilos, tradições e inovações de diversos cantos de África e do mundo.
Um mosaico de talentos e culturas
Artistas e companhias de Moçambique, África do Sul, Mali, Nigéria, Tanzânia, Cabo Verde, Angola, Marrocos e Madagáscar foram os protagonistas desta bienal. As actuações reflectiram um mosaico cultural, onde cada performance era uma janela para a alma e as tradições de seu país de origem. Esta diversidade mostrou-se não apenas nos estilos de dança, mas também na abordagem temática, oferecendo uma riquíssima oportunidade para expressão artística livre e diversificada.
Espaços que respiraram arte
A cidade de Maputo transformou-se num imenso palco ao ar livre, com performances em locais emblemáticos como a Praça da Independência, o Jardim Tunduru e a Sé Catedral de Maputo. Além destes, espaços culturais como o Centro Cultural Franco-Moçambicano e o Teatro Avenida foram essenciais na hospedagem de espectáculos que entrelaçaram a arte da dança com a história e a arquitectura local.
Uma experiência multifacetada
O KINANI e a Bienal de Dança em África não se limitaram a apresentações de dança. Painéis de debate, fóruns e passeios com actuações foram organizados, promovendo uma interacção mais profunda entre os artistas e o público. Esses eventos proporcionaram momentos de reflexão e troca de experiências, ampliando a compreensão da dança como uma forma de comunicação e expressão cultural. O evento culminou numa celebração festiva onde a música e a dança se fundiram em harmonia perfeita, reflectindo a alegria e a união das culturas presentes. Foi um epílogo que ressoou não só nas ruas de Maputo, mas também nos corações de todos os que participaram e testemunharam este grandioso evento.
A 10ª edição do KINANI, juntamente com a 17ª Bienal de Dança em África, deixou um legado inesquecível. Mostrou que a dança, mais do que um movimento artístico, é um diálogo sem fronteiras, uma celebração da diversidade e um poderoso meio de conectar pessoas, culturas e histórias. Maputo, por uma semana, foi mais do que a capital de Moçambique; foi o coração pulsante da arte contemporânea africana, um lugar onde a dança falou todas as línguas.
Quito Tembe, curador do Festival Kinani, comenta:
“Esta edição foi histórica para o continente africano. Tivemos em Moçambique mais de 300 delegados (directores de outros festivais, organizações de arte e directores de teatros), que permitiram que os espectáculos seleccionados e apresentados fossem escolhidos para circular em outros festivais do mundo. Em termos de presenças, há a destacar os directores da Bienal do Lyon, França (maior festival de dança do mundo), a directora do Tanzmesse (Alemanha), que é a maior feira de dança do mundo, e um grande número de programadores africanos.
Igualmente durante a bienal, tivemos o programa FORUM KINANI, que consistiu em ter os três principais fundos de financiamento concedido às artes (FUNARTE, do Brasil; ACCÈS CULTURE, de França; PROCULTURA, de Portugal/União Europeia), que, num mesmo espaço, e durante três dias, abordaram temas ligados a formas e modelos de projectos por eles financiados. Esta interacção abriu espaço para que Moçambique entre no mapa dos financiamentos internacionais. Importa destacar que as sessões foram honradas pela presença de duas renomadas individualidades, nomeadamente, a Presidentes do Instituto Francês (França), e a presidente da FUNARTE (Brasil). Por fim, mas não menos importante, foi a presença massiva do público em todos os 32 espectáculos, muitos deles com lotação esgotada.”
