Mark Zuckerberg, CEO da Meta, admitiu recentemente que agências de inteligência dos Estados Unidos, como a CIA, conseguem aceder a mensagens do WhatsApp ao comprometer dispositivos dos utilizadores. A revelação foi feita a 11 de Janeiro de 2025, durante a sua participação no podcast "The Joe Rogan Experience".
Segundo Zuckerberg, apesar de a criptografia de ponta a ponta do WhatsApp impedir que a Meta visualize o conteúdo das mensagens, esta não protege os utilizadores de ataques directos aos seus telemóveis. O executivo explicou que softwares de espionagem, como o Pegasus, desenvolvido pela empresa israelita NSO Group, permitem o acesso às mensagens e outros dados em texto simples. Estas ferramentas são frequentemente utilizadas por governos e agências de segurança para vigiar alvos específicos.
Além disso, o CEO da Meta destacou que o FBI consegue recolher metadados e outras informações relevantes mediante mandados judiciais. Estes metadados, apesar de não revelarem o conteúdo das mensagens, são considerados valiosos em investigações.
Plataformas vulneráveis
De acordo com documentos divulgados pelo site Property of the People, em Janeiro de 2021, o FBI reconheceu num relatório interno a capacidade de recolher informações de várias aplicações de mensagens instantâneas, mesmo que estas utilizem criptografia de ponta a ponta. O relatório, intitulado "FBI Infographic re Lawful Access to Secure Messaging Apps Data", lista várias plataformas que podem ser alvo de vigilância por mandados judiciais ou comprometimento dos dispositivos. Entre as aplicações mencionadas estão por exemplo o WhatsApp, iMessage, Signal, Telegram, Facebook Messenger, Line entre outras.
Conforme o relatório, embora as mensagens protegidas por criptografia não possam ser acedidas directamente, as agências podem recolher metadados, contactos, registos de utilização e, em alguns casos, mensagens armazenadas na nuvem ou nos servidores das aplicações.
Threema: a excepção
Entre as principais plataformas de mensagens analisadas, o Threema surge como a única aplicação onde agências como a CIA ou o FBI não conseguem aceder a informações significativas. A aplicação é projectada para operar sem a necessidade de dados pessoais, como números de telefone ou e-mails, e não armazena mensagens em servidores. Além disso, a minimização de metadados e a utilização de criptografia de ponta a ponta rigorosa fazem do Threema uma das opções mais seguras para quem prioriza a privacidade.
O Threema destaca-se pela combinação única de anonimato, retenção mínima de dados e independência de grandes corporações. Por esta razão, é amplamente utilizado por organizações que exigem níveis elevados de segurança, incluindo:
Empresas internacionais: Como a Mercedes-Benz Group AG, que adoptou o Threema Work para comunicação interna segura, e a rede de supermercados alemã EDEKA.
Administrações públicas: A cidade de Frankfurt e o Ministério da Justiça da Baviera, que utilizam o Threema Work para comunicações oficiais.
Forças armadas: O Exército Suíço proibiu o uso de aplicações como WhatsApp e Telegram, adoptando exclusivamente o Threema para comunicações sensíveis, devido às rigorosas políticas de protecção de dados da empresa e à sua sede na Suíça, onde as leis oferecem maior protecção contra interferências externas.
Estas características tornam o Threema uma ferramenta essencial para quem não pode comprometer a privacidade, mesmo em ambientes de alta segurança.
Um alerta para a privacidade digital
As revelações de Zuckerberg reacendem o debate sobre privacidade digital e expõem a fragilidade das ferramentas de comunicação, mesmo aquelas consideradas seguras. Especialistas em cibersegurança destacam que, embora a criptografia seja um avanço significativo, ela não é suficiente quando os dispositivos são comprometidos por softwares de espionagem sofisticados.
Para mitigar riscos, recomenda-se o uso de sistemas operativos sempre actualizados, cuidado na instalação de aplicações de fontes desconhecidas e a escolha de plataformas de mensagens que maximizem a segurança e a privacidade. Num mundo cada vez mais interligado, a protecção dos dados pessoais tornou-se uma preocupação crítica, e as escolhas tecnológicas dos utilizadores desempenham um papel fundamental na sua segurança.
