As promessas de privacidade do WhatsApp poderão estar seriamente comprometidas. Uma investigação em curso nos Estados Unidos está a apurar denúncias de ex-funcionários da Meta que alegam que alguns colaboradores da empresa teriam acesso “irrestrito” às mensagens trocadas na popular aplicação de mensagens, apesar da alegada encriptação de ponta a ponta promovida pela empresa.

A informação foi avançada pela Bloomberg, que teve acesso a entrevistas e a um relatório oficial onde constam os testemunhos desses antigos contratados. Os relatos estão a ser investigados por agentes especiais do Departamento de Comércio norte-americano, no âmbito de uma operação denominada “Criptografia de Origem”, iniciada pelo menos desde Julho de 2025.

Segundo os documentos obtidos pela publicação, há registo de várias entrevistas conduzidas por um agente identificado, cujo trabalho foi posteriormente revisto por outro agente especial assistente. Fontes ligadas ao caso garantem que, já em Janeiro deste ano, a investigação permanecia activa, embora o seu estado actual e os possíveis alvos continuem a ser desconhecidos — algo comum em processos desta natureza, que muitas vezes terminam sem qualquer acusação formal.

Esta não é a primeira vez que surgem suspeitas em torno da segurança no WhatsApp. Já em 2024, queixas semelhantes foram dirigidas à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA, embora não tivessem sido tornadas públicas até agora. Estas revelações entram em rota de colisão com o discurso institucional da Meta, que há anos tem feito da privacidade uma bandeira de marketing, afirmando que nem a própria empresa tem acesso ao conteúdo das mensagens enviadas na aplicação.

Em resposta às novas acusações, a Meta voltou a negar categoricamente qualquer possibilidade técnica de violação da privacidade dos utilizadores. “O que estas pessoas alegam não é possível, porque o WhatsApp, os seus funcionários e os seus contratados por outsourcing não podem aceder às comunicações encriptadas dos utilizadores”, garantiu Andy Stone, porta-voz da empresa, em declarações enviadas por e-mail à Bloomberg.

Apesar das garantias públicas da Meta, os investigadores continuam a recolher elementos. O desfecho desta investigação poderá ter repercussões significativas tanto para a reputação da empresa como para a confiança dos utilizadores em sistemas de encriptação considerados até aqui invioláveis.