Vilankulo, onde o céu e o mar se fundem em nós


Depois de três dias fantásticos no paraíso de Pomene (ver edição 40 da Xonguila), estamos ansiosos por chegar a outro paraíso: Vilankulo. Tal como o troço entre Maxixe e Massinga, esta parte da N1 de Massinga até Vilankulo (Pambarra) está em excelente estado.
Ao fim de alguns quilómetros, começamos a ver os velhos gigantes: os embondeiros! Que árvores majestosas são! De um lado e de outro da estrada como que nos forçam a parar para os admirar de perto e sem pressas, da mesma forma que cresceram, sem pressa.

De Massinga até Pambarra, onde teremos de cortar para Vilankulo, são 167 km, que se fazem em duas horas, sem nenhuma dificuldade. Aí, viramos em direcção ao Índico e, por uma estrada menos cuidada, mas ainda assim aceitável, ficamos a apenas 20 km do nosso destino.

A nossa chegada a Vilankulo mostra uma cidade cheia de energia, plena de vontades, vibrante. Mas, mesmo com toda esta energia, não se vê ninguém apressado ou a correr, excepto algumas crianças, atrás de uma bola. Tudo calmo, sem pressas, mas com objectivo. Confesso que esta azáfama “tranquila” se apoderou de nós até bem depois da nossa estadia neste local.

A estrada que aqui nos trouxe desemboca directamente no centro de cidade (é cidade apenas desde 25 de Fevereiro de 2020!). Muita gente na rua, comércio aberto, uma rua principal cuidada e larga, o suficiente para que o movimento seja fluido. Apesar de toda a azáfama, tudo aparenta estar organizado, excepto nas imediações do Mercado Municipal – aí tudo parece algo caótico, com o pescado a entrar e a sair, um vai e vem constante de gente, de produtos, carros, camiões...

Seguimos e chegamos ao nosso alojamento, o Vilancool Beach Resort. Espera-nos um edifício de dois pisos, literalmente na praia, pequeno, confortável e com tudo o que necessitamos. Desde o primeiro momento que nos sentimos em casa.

Cabe aqui explicar a razão do título deste artigo: Vilankulo é uma cidade de mar e céu. Não há como os dissociar quando os avistamos. O azul do mar funde-se com o azul do céu, numa linha única, e, juntos, fundem-se a nós. E as pessoas reflectem no seu estado de espírito o paraíso onde vivem. Nos sete dias que ali passámos (já estamos com saudades), só sentimos bom humor, calma, paz de espírito, amizade e bons sentimentos. É claro que nem no paraíso tudo é perfeito, mas ali estamos mais perto da perfeição. Talvez por isso a fusão de azuis nos tenha encantado.

Recordo o momento em que uma grande família de pescadores à rede, a 20 metros da areia, unida pelo bem e necessidades comuns, começou a puxar a sua rede de peixe. É um trabalho pesado, mas que miúdos e menos miúdos faziam com precisão e satisfação. Quando juntaram a rede e viram o resultado do seu trabalho, os sorrisos e olhares felizes tornaram-se intensos, empolgados... Fotografei todo esse momento. Aquela felicidade invadiu-me! Senti que me fundia àquela terra e àquelas gentes. Vou voltar de certeza!


O que visitar/ver?
Em Vilankulo as opções são muitas e diversificadas! Por vezes, dependendo do nosso tempo de estadia, difícil será escolher o que visitar e/ou ver. Vilankulo tem muitos atractivos, e para diferentes gostos, desde os mais calmos até aos mais extravagantes. A nossa selecção é baseada num conceito mais familiar, que vai permitir excelentes momentos partilhados entre todos e algum descanso. As nossas dicas:

1. Parque Nacional de Bazaruto – Um dos mais belos paraísos naturais do nosso país! O Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto é constituído por cinco ilhas: Bazaruto, Benguerra, Magaruque, Santa Carolina e Bangué, tendo sido criado em 1971. Recentemente foi nomeado como o melhor destino de ilha na categoria África e Oceano Índico, pela revista Condé Nast Traveller.
No arquipélago existem diversas opções de alojamento, mas os preços são elevados, pelo que optámos por visitá-lo de barco – mais económico e sem deixarmos de visitar e ver o que desejávamos.

Fomos em família, num barco pequeno, onde estávamos só nós (o que recomendamos), e dessa forma decidimos o que iríamos visitar. Começámos pelo 2 Mile Reef (de que falo adiante), seguimos em busca das baleias – estavam muito tímidas nesse dia, e apenas avistámos duas, sem grande visibilidade; depois, seguimos para a ilha de Bazaruto, que possui umas dunas fantásticas, altas e que nos permitem uma vista panorâmica única. Algumas partes são mais difíceis de subir, mas o esforço é recompensado.

Levar o catering e equipamento para um almoço especial faz parte do serviço das empresas que fazem estes passeios – recomendamos!!! Depois, a água é de um azul indescritível! A calma do mar, como se fosse uma piscina infinita, a busca de avistarmos os dugongos e as tartarugas marinhas (espécies protegidas pelo Parque) e termos tido os golfinhos a brincarem para nós, a dois ou três metros do barco, preencheram outra parte do nosso dia.

Antes de regressarmos, passeámos numa praia da ilha de Benguerra, sozinhos. Já de volta ao barco, e com uma tripulação que apenas nos queria ver felizes e contentes com o passeio, seguimos pela costa da ilha de Benguerra, vendo os diversos hotéis e lodges. Um dos melhores momentos estava guardado para o regresso: o pôr-do-sol visto do mar! Acho que deverá ser uma das mais belas formas de assistir a este momento mágico.

2. Dunas Vermelhas - A norte de Vilankulo, existe uma grande zona de dunas de areia vermelha. Embora pareçam estranhas pela cor, na realidade são lindas. O acesso é relativamente fácil, escalar não é demasiado complicado, e, no momento em que chegamos ao cimo, temos uma vista fantástica para o interior e para o mar. Do topo vemos o mar e o arquipélago de Bazaruto e, lá no cimo, costumam estar alguns miúdos da zona, saltando e brincando na areia vermelha. Faça esta actividade ao fim do dia, com um pequeno lanche, para que possa desfrutar de um magnífico pôr-do-sol.

3 Bahia Mar Boutique Hotel – É, possivelmente, o melhor hotel de Vilankulo, com todas as comodidades de um hotel cinco estrelas, mas com a dimensão de um pequeno, confortável e luxuoso boutique hotel. É, definitivamente, um dos locais que recomendamos para uma estadia, especialmente se for a dois. 
Mas nós fomos ver o Wellness Center, que pode ser usado por qualquer pessoa, mesmo não sendo hóspede, bem como o Restaurante, que tem uma cozinha excelente, e que nos oferece os sabores locais, sem esquecer pratos mais sofisticados. Recomendamos ambos, podendo assim aproveitar para “preguiçar” todo um dia pelo hotel, junto à piscina e com uma magnífica vista sobre o arquipélago de Bazaruto, para descansar e esquecer tudo o resto!...

4. “2 Mille Reef” – Nem todos se vão sentir à vontade estando no mar equipados para fazer snorkel, mas podemos afirmar: VALE MESMO A PENA. A beleza natural e intocada deste recife, que os guardas do Parque tudo fazem para proteger, é de nos tirar o fôlego. Apesar de termos chegado ao local antes das nove horas da manhã, e estarmos em pleno inverno, não houve frio que nos tirasse do mar. Por mais de uma hora, apenas com os óculos, o tubo de respirar e umas barbatanas, estivemos a encher-nos de imagens lindas, pois é como se estivéssemos dentro de um documentário da National Geographic. A diversidade de peixes, de crustáceos, de moluscos e de corais faz com que não queiramos sair da água. Vale por cada segundo que nos deixam lá estar.

5. Passeio pela praia de Vilankulo, na maré baixa – Uma actividade simples e que adorámos foram os dois ou três passeios que demos pela praia de Vilankulo. Na maré baixa conseguimos percorrer uma grande distância em direcção ao mar, ou seja, distanciámo-nos da costa, caminhando com água pelos tornozelos, até aos grandes bancos de areia mais à frente. É relaxante e estimulante. Lá, longe de todos, podemos deitar-nos em pequenas piscinas formadas na areia, ver enormes estrelas-do-mar e alguns peixes coloridos. É um passeio para fazer de mãos dadas.

6. Actividades Náuticas – Existem centros de mergulho que possibilitam a ida aos locais de mergulho mais exclusivos. As actividades como fazer Paddle ou entrar no mar em caiaques são excelentes, pois o mar é sempre calmo. Pode-se ir ver o pôr-do-sol numa canoa, no Rio Govuro, o que deve ser deslumbrante, mas que não tivemos tempo de fazer – ficou para a próxima!

7. Passeio pelos bairros – Como fotógrafo, passear a pé para conhecer o que me rodeia é uma necessidade. Deixei a família nos seus momentos de relax e parti, com o Dalton, num passeio pelo bairro mais próximo. O Dalton é de Maputo, mas vive em Vilankulo há 6 anos e parece conhecer toda a gente. Além de gerir o lodge onde trabalha, faz a gestão da Residência para Idosos. O passeio pelo bairro é longo e muito interessante. Corremos pontes construídas pelos moradores, caminhos pequenos e grandes, vimos casas construídas com diversos materiais, com formas diversas, rostos sorridentes ou curiosos, mulheres que queriam ser fotografadas, homens que se desviavam, crianças que se insinuavam para ver o que fotografávamos... Passámos junto ao aeroporto, em padarias ou peixarias, bebemos uma cerveja gelada numa pequena esplanada. Estivemos sempre rodeados de sorrisos e bons sinais. Terminámos o nosso passeio a ver um jogo de futebol, num campo difícil e cheio de apoiantes, de uma e outra equipa. Não podia pedir mais. Recomendamos este tipo de passeios, pois desta forma conhecemos a realidade dos locais que visitamos e das pessoas.

As pessoas
Inhambane é mesmo a “Terra da Boa Gente”. Não falamos apenas da cidade, antes de toda a província. Em Vilankulo, tal como na parte restante, somos sempre recebidos com um sorriso. Mas não é para nos admirarmos, uma vez que a “Boa Gente” vive no paraíso. Como seria possível não serem assim sorridentes e felizes? Quem lê estas linhas e já foi a Vilankulo percebe o que aqui digo.

Chegados a Vilankulo, fomos directos para o alojamento que havíamos escolhido (já recomendação de um amigo) e o local era a própria paz – rapidamente chegou o Dalton, gerente do lodge. A expressão patente no rosto e a sua voz não mentiam – era nosso amigo ainda antes de nos termos cumprimentado! Que mais podemos dizer de pessoas que nos fizeram sentir sempre em casa, que nos sorriam, que partilhavam uma mesa numa esplanada só para conversarmos sobre a vida, deles e nossa, com uma cerveja bem gelada? “Boa Gente” de Inhambane, khanimambo!

A Cidade de Vilankulo
Vilankulo é uma cidade vibrante, cheia de vida, com alguma dimensão e com a maior parte dos serviços necessários a uma estadia agradável e confortável. Há dois bons supermercados – onde há de quase tudo, e com qualidade; quase todos os lodges são junto à praia e possuem bons restaurantes; o peixe e os mariscos são excelentes e super frescos; somos sempre recebidos com um sorriso; tudo em Vilankulo é agradável e tranquilo, é o local ideal para umas férias em família ou a dois, férias sossegadas, mas não demasiado paradas.

Onde ficar?
Nós ficámos no Vilancool Beach Resort, que recomendamos fortemente. Possui três tipos de alojamento, e o serviço é muito bom. O Vilancool Lodge usa grande parte dos lucros em melhorias do espaço e para garantir que um Lar de Idosos funcione sempre, sem que os seus utentes – cerca de 25 – tenham custos, e sendo tratados como se estivessem junto das suas famílias. O Bahia Mar Boutique Hotel é também uma excelente opção.

Em Vilankulo as opções de estadia são bastante diversificadas em termos de tipo (desde acampamento até hotel), preços e qualidade. Todas as opções de alojamento estão disponíveis online, numa busca por “alojamento Vilankulo”.