Vândalos é uma curta-metragem moçambicana de 15 minutos que, apesar da sua brevidade, carrega uma força emocional profunda e incontornável. Realizada por Melchior Ferreira e Bill Boy (Américo Bila), esta obra de drama social mergulha, com honestidade crua, no quotidiano de muitos jovens moçambicanos empurrados para a margem da sociedade.

No centro da narrativa está Lembranço, um jovem vendedor ambulante — um chips boy — que carrega o fardo de ser visto como um molwene, um vândalo sem futuro. Mas por detrás do rótulo esconde-se um ser humano com talento, coragem e um desejo legítimo de viver com dignidade. Através do seu olhar, o filme revela os dilemas, as esperanças e as pequenas batalhas de uma juventude muitas vezes invisível aos olhos do poder e da sociedade.

Produzido de forma independente, Vândalos é fruto da colaboração entre dois criadores que estão a redefinir a paisagem artística nacional. Melchior Ferreira, cineasta, storyteller e director criativo, junta forças com Bill Boy, realizador e storyteller visual, para construir uma obra intensa, visualmente expressiva e socialmente pertinente.

“O que começou como uma ideia solta transformou-se num filme que me desafiou profundamente. Quis contar uma história real, visceral, sobre quem somos e quem tantas vezes é deixado para trás. Vândalos é sobre os nossos jovens, os nossos sonhos e as nossas dores. É um espelho do presente, mas também uma janela para um futuro possível.” — referiu Melchior Ferreira, sublinhando a motivação pessoal e emocional que está na génese do filme.

Vândalos é um apelo, um convite à reflexão sobre o modo como a juventude é retratada e tratada, especialmente nos contextos urbanos e periféricos. Com o objectivo de estimular o diálogo sobre exclusão social, os seus criadores pretendem levar o filme a festivais de cinema independente, promover exibições comunitárias acompanhadas de debates, e firmar parcerias com plataformas de streaming, órgãos de comunicação e instituições culturais. No fundo, Vândalos é uma obra que toca e inquieta. Um lembrete de que, por detrás de cada olhar julgado e cada nome imposto, existe uma história que merece ser contada — com verdade, com sensibilidade e com arte.