O Presidente da República, Daniel Chapo, afirmou que a transformação digital representa uma das principais fronteiras da soberania nacional no século XXI, assumindo-se como elemento determinante para a consolidação da independência tecnológica e económica de Moçambique.

“A transformação digital é uma das grandes fronteiras da soberania no Século XXI” e, acrescentou, “hoje, a independência mede-se também pela capacidade de governar o espaço digital”, sublinhou o Chefe do Estado, em Maputo, na sessão de abertura da Primeira Conferência Nacional sobre Transformação Digital. O encontro, que decorre durante dois dias sob o lema “Rumo a um Estado Moderno, Digital e Centrado no Cidadão”, reúne decisores e especialistas para debater os desafios e as oportunidades do sector.

O estadista traçou um paralelismo entre o passado e o presente, defendendo que, se outrora coube a gerações anteriores lançar os alicerces da independência política, compete agora à geração actual consolidar as bases da autonomia tecnológica.

“Tal como gerações anteriores construíram os alicerces da nossa independência política, cabe-nos agora consolidar os fundamentos da nossa independência tecnológica e económica”, afirmou.

Para o Presidente, a digitalização deve ser encarada como um activo estratégico para o desenvolvimento nacional. “A digitalização será uma das grandes avenidas dessa independência. Abrirá portas ao investimento, impulsionará a produtividade e criará empregos qualificados para a nossa juventude”, declarou, apontando para o potencial transformador da tecnologia na economia moçambicana.

O governante enfatizou ainda que um Estado digital robusto é condição essencial para a protecção de informações estratégicas e para assegurar a continuidade institucional, sobretudo em contextos adversos. “Sem digitalização, reduzimos a nossa capacidade de alertar os cidadãos, comprometemos a protecção de vidas e colocamos em risco a memória colectiva da nação”, advertiu.

No mesmo sentido, alertou para os riscos decorrentes da fragmentação tecnológica na administração pública. “Não devemos permitir bases de dados que não se integram e serviços que se duplicam”, afirmou, sublinhando que “não é aceitável que instituições públicas desenvolvam sistemas que não comunicam entre si”.

Neste quadro, reiterou a prioridade atribuída à protecção de dados e à segurança digital, anunciando que o Governo está a rever a legislação relativa à segurança cibernética e à protecção de dados, com o objectivo de salvaguardar cidadãos, empresas e o próprio Estado moçambicano.

“Queremos um país onde cada cidadão possa aceder aos serviços públicos a partir de qualquer ponto do território”, afirmou.

A encerrar, deixou um apelo directo aos participantes da conferência: transformar o debate em resultados tangíveis. “O tempo da reflexão deve ser curto, porque o tempo da transformação já começou”, concluiu.