Um estudo recente, financiado pelo National Institute for Health and Care Research (NIHR), salientou os benefícios significativos do trabalho remoto, especificamente no que concerne à melhoria dos hábitos alimentares e à redução da pressão arterial. Esta investigação, conduzida em 2024, envolveu uma análise abrangente de aproximadamente 2.000 estudos sobre regimes de trabalho remoto e híbrido, liderada por Neil Greenberg, psiquiatra do King’s College London.

Os achados principais deste estudo indicam uma predisposição aumentada para práticas alimentares mais saudáveis, assim como uma redução nos níveis de stress, o que, por sua vez, contribui para a diminuição da pressão arterial. Contudo, o estudo também revela que o trabalho remoto pode estar associado a comportamentos de risco, tais como o aumento do consumo de snacks, álcool e tabaco, além de ser um factor contributivo para o ganho de peso.

Apesar das preocupações de alguns empregadores relativamente à produtividade dos trabalhadores remotos, a revisão concluiu que estes tendem a cumprir jornadas mais longas, apresentam menores taxas de absentismo devido a doença, e frequentemente prolongam as suas actividades para períodos nocturnos e fins-de-semana. Greenberg enfatizou a importância de que as empresas valorizem o trabalho remoto de modo equiparável ao trabalho presencial, garantindo condições adequadas e sustentáveis para o desempenho das actividades laborais em casa.

A investigação também destaca que os impactos do trabalho remoto sobre a saúde e progressão de carreira são assimétricos. Empregados com melhores condições socioeconómicas tendem a colher maiores benefícios, enquanto aqueles com responsabilidades domésticas e familiares, muitas vezes mulheres, apresentam níveis elevados de stress. No domínio da saúde, verificou-se um aumento no consumo de frutas e vegetais, embora também tenha sido registado um acréscimo do comportamento sedentário e do ganho de peso.

Greenberg recomendou que os gestores adoptem uma postura proactiva no apoio aos trabalhadores remotos, advertindo que as organizações que se mantiverem resistentes ao modelo de trabalho a partir de casa correm o risco de perder talentos valiosos e de ficarem aquém em futuros contextos de crise. O estudo sugere que os gestores devem adaptar a sua liderança e suporte com base nas circunstâncias individuais de cada colaborador, promovendo ambientes de trabalho que sejam, simultaneamente, saudáveis e integrados, independentemente do local de execução das tarefas, seja em casa ou no escritório.