De acordo com uma reportagem do jornal britânico Daily Mail, a China está a enfrentar um surto de uma doença viral misteriosa que tem sobrecarregado os hospitais, evocando memórias dos primeiros dias da pandemia de Covid-19.
Vídeos amplamente partilhados nas redes sociais mostram hospitais repletos de pacientes com máscaras, enquanto pais esperam em longas filas com os seus filhos doentes nas unidades pediátricas. O Daily Mail também refere relatos não confirmados de que crematórios e funerárias estarão a atingir os seus limites de capacidade devido ao aumento do número de óbitos.
As cenas alarmantes e a ausência de declarações oficiais por parte do governo chinês levaram à comparação com os primeiros estágios do surto de Covid-19, também inicialmente marcado pelo silêncio oficial e especulação pública.
Segundo o Daily Mail, a imprensa local atribui o surto a um vírus pouco conhecido, o metapneumovírus humano (HMPV), que habitualmente provoca sintomas ligeiros semelhantes a uma constipação. Contudo, as autoridades de saúde chinesas ainda não confirmaram esta ligação.
Cenário semelhante a outros surtos recentes na China
O jornal britânico relembra que este cenário é semelhante ao Inverno de 2022/23, quando a China enfrentou uma onda de pneumonia por micoplasma, apelidada de "pulmão branco". Esse surto foi atribuído à baixa imunidade natural das crianças, resultado das rigorosas medidas de confinamento e do encerramento prolongado das escolas durante a pandemia de Covid-19.
No entanto, de acordo com os dados mais recentes do Centro Chinês de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC), o surto actual parece estar relacionado com a gripe sazonal. O CDC revelou que cerca de 30% dos testes realizados apresentaram resultados positivos para o vírus da gripe, enquanto 14% dos pacientes hospitalizados com doenças respiratórias graves também testaram positivo para influenza.
Aumento de casos respiratórios em todo o país
O Daily Mail cita ainda relatórios do CDC chinês que indicam um aumento substancial de doenças respiratórias em várias regiões do país. Na semana que terminou a 29 de Dezembro, 7,2% das consultas hospitalares nas províncias do norte deviam-se a sintomas semelhantes à gripe — um aumento de 12% em relação à semana anterior. No sul, a percentagem era de 5,7%, registando um crescimento de 21% face à semana anterior.
Relatos de cidadãos e impacto nas comunidades locais
A publicação britânica destaca também depoimentos de cidadãos chineses que vivem de perto esta situação. Um agricultor da província de Hunan, identificado como o Sr. Peng, afirmou que muitas pessoas na sua comunidade contraíram constipações graves e mencionou que pelo menos sete ou oito pessoas morreram na região numa única semana, incluindo indivíduos entre os 40 e os 80 anos.
Além disso, o Daily Mail menciona declarações de uma responsável por uma funerária, identificada como Sra. Wang, que revelou que os crematórios estão a operar ao máximo da sua capacidade e descreveu longas filas para cremações.
A ausência de declarações públicas por parte do governo chinês ou da Organização Mundial da Saúde sobre esta nova crise está a alimentar preocupações globais, num momento em que os vídeos que documentam a situação continuam a circular nas redes sociais.
