O Egipto esteve a poucos minutos de protagonizar uma das maiores surpresas do Campeonato do Mundo, mas viu o sonho desfazer-se de forma dramática. Depois de desperdiçar uma vantagem de dois golos frente à campeã em título, a Argentina, o seleccionador Hossam Hassan lançou duras críticas à arbitragem, questionou a justiça das decisões e deixou uma frase que rapidamente se tornou viral.

"Se querem que a Argentina ganhe, para que jogamos?", atirou o técnico egípcio, visivelmente revoltado após a derrota por 3-2 nos oitavos-de-final.

A selecção egípcia chegou aos 79 minutos a vencer por 2-0 e parecia encaminhada para uma qualificação histórica. Contudo, uma recuperação inspirada por Lionel Messi permitiu à Argentina marcar três golos nos minutos finais e garantir a passagem aos quartos-de-final.

Na conferência de imprensa, Hossam Hassan afirmou que a sua equipa foi prejudicada por várias decisões da equipa de arbitragem.

"Vou para casa e não vou ver mais nenhum jogo deste Mundial", declarou.

"O que nos aconteceu não foi justo. Deveríamos ter tido um penálti, tivemos um golo anulado e continuo sem perceber porque foi invalidado."

O treinador referia-se ao lance dos 62 minutos, quando Mostafa Zico colocou a bola na baliza argentina. Após intervenção do VAR, o golo foi anulado por alegada falta de um jogador egípcio na construção da jogada.

Já nos instantes finais, os egípcios reclamaram uma grande penalidade por uma alegada falta sobre Hamdy Fathy. Poucos segundos depois desse lance, a Argentina lançou um contra-ataque que terminou com o golo da vitória, aos 92 minutos, aumentando ainda mais a indignação da equipa africana.

Sem esconder a frustração, Hassan foi ainda mais longe nas críticas.

"Se querem que a Argentina ganhe, para que chamam os outros para participar?", questionou, insinuando que o desfecho da partida parecia favorecido pelas decisões da arbitragem.

O seleccionador reconheceu que alguns dos golos sofridos resultaram de erros da sua equipa, mas insistiu que esse não foi o principal motivo da eliminação.

"Mesmo que os golos tenham surgido por erros nossos, o maior erro foi não termos recebido aquilo a que tínhamos direito por parte de quem tomou as decisões."

Conhecido pelo seu perfil competitivo, Hassan admitiu a enorme dificuldade em aceitar uma derrota que considera injusta.

"Sou uma pessoa que odeia perder. E quando a derrota parece tão injusta como a de hoje, só posso pedir aos adeptos que não fiquem desanimados. Queríamos muito oferecer-lhes mais alegrias."

Apesar da revolta, fez questão de elogiar os seus jogadores.

"O que me deixou satisfeito foi ver os meus jogadores cumprirem o plano de jogo em muitos momentos e trabalharem muito bem."

Ao contrário da estratégia habitualmente mais cautelosa, baseada numa defesa compacta e em rápidos contra-ataques, o Egipto entrou em campo com uma postura ofensiva e surpreendeu a Argentina desde os primeiros minutos. A vantagem construída foi igualmente sustentada por uma exibição de grande nível do guarda-redes Mostafa Shoubir, que realizou várias defesas decisivas antes do intervalo.

Durante grande parte da partida, o Egipto acreditou que estava prestes a escrever uma página histórica no futebol mundial. Porém, a reacção argentina nos minutos finais mudou completamente o rumo do encontro e deixou os egípcios com um profundo sentimento de injustiça, alimentado pelas decisões da arbitragem e pelas duras palavras de Hossam Hassan, que abandonou o Mundial convencido de que a sua equipa merecia outro desfecho.