Sakawa, é um termo utilizado no Gana que pode significar qualquer tipo de fraude ou esquema feito na internet daqueles contra os quais somos frequentemente alertados no sentido de nos acautelarmos. Neste documentário dirigido por Ben Asamoah, é-nos apresentada uma ampla abordagem sobre este tipo de crime, focada em esquemas online associados a conquistas e amor utilizados principalmente para roubar dinheiro a ocidentais.

Aqui, os larápios não actuam em redes sofisticadas que trabalham em escritórios ou call centres. Operam em barracas de mercados de bairros muito pobres. A maioria dos trapaceiros são pessoas muito simples que fazem o que fazem para sobreviver e escapar à pobreza, nunca justificando os crimes que estão cometendo. Os sujeitos falam sobre clientes de diferentes países, de tudo aquilo que é feito para conseguir aliciar as vítimas e de como exploram as ferramentas que são utilizadas. Grande parte do documentário é passado durante uma formação prestada a um novo elemento do grupo que está a aprender como aplicar os truques da actividade. Quando os clientes se tornam difíceis, os golpistas recorrem a ameaças e até a práticas curandeiristas, que resultam por vezes numa mistura entre costumes seculares e tecnologia moderna.

Em Sakawa, os larápios não actuam em redes sofisticadas que trabalham em escritórios ou call centres. Operam em barracas de mercados de bairros muito pobres

Filmado no Gana e visualmente apelativo, Sakawa foi muito bem recebido pela crítica internacional, tendo arrecadado diversos prémios em prestigiados festivais. O director da película esforçou-se por denunciar a existência destas redes fraudulentas, apresentando os efeitos negativos causados, os perigos do mundo tecnológico, e ensinando como nos devemos deles precaver. Sakawa é um documentário convincente, que oferece um olhar fascinante, sem julgamento e um tanto sombrio, sobre o mundo dos golpistas da Internet do Gana, mas que, na verdade, é sentido também em Moçambique e um pouco por toda a parte