No dia 6 de Novembro, a Fundação Fernando Leite Couto recebeu um jantar especial conduzido pelo chef finlandês Kimmo, convidado pela Embaixada da Finlândia em Moçambique no âmbito de um projecto de diplomacia gastronómica. A ocasião celebrou os 50 anos de relações diplomáticas entre os dois países, unindo sabores do norte europeu e ingredientes moçambicanos num diálogo culinário inesperado.

“Durante este projecto descobri uma grande variedade de pratos de peixe e marisco”, contou o chef, ainda encantado com a diversidade do litoral moçambicano. Para ele, cozinhar em Maputo foi mais do que um exercício profissional: foi uma oportunidade de partilhar técnicas e aprender novas formas de olhar o mar.

Com uma carreira construída entre a Ásia e a Europa, Kimmo habituou-se a transportar ideias e inspirações de cada país por onde passa. “É sempre interessante apresentar combinações nórdicas a quem as experimenta pela primeira vez. O meu objectivo é criar pratos autênticos, que mantenham os sabores reconhecíveis da minha cultura”, explicou.

Kimmo descreve a culinária finlandesa como uma celebração de combinações simples e genuínas: peixe fumado com endro, cogumelos do bosque com natas ácidas, pão de centeio com manteiga e bagas silvestres em múltiplas variações. “São sabores que contam a história da Finlândia. Trazê-los a um novo público é uma forma de diálogo cultural.”

Trabalhar fora do seu país ensinou-lhe também a ser flexível. “Aprendi a substituir ingredientes por produtos locais, mantendo os métodos tradicionais como a defumação. Depois de vários anos em Itália, comecei a misturar ingredientes finlandeses em pratos italianos, criando uma verdadeira troca cultural num prato só.”

Em Moçambique, Kimmo rendeu-se à combinação de marisco e coco, que descreve com entusiasmo. “Adoro marisco, e misturá-lo com coco é simplesmente delicioso.” O prazer de experimentar, diz, é o que o mantém criativo: “É uma forma de continuar activo, de aprender sempre algo novo e de compreender melhor o que os estrangeiros mais apreciam na gastronomia do meu país.”

Mais do que receitas, o chef acredita no poder humano da mesa. “À volta de uma refeição, as pessoas ficam de bom humor, falam mais, partilham emoções. Em pouco tempo, criam-se memórias duradouras. É a forma mais humana e eficaz de fazer amigos e construir relações.” E acrescenta com um sorriso: “Tenho conhecido pessoas incríveis em Moçambique. A comida é uma linguagem universal que nos faz entender uns aos outros, celebrar as diferenças e o que temos em comum.”

Kimmo deixa o país com o paladar cheio de novas descobertas e o coração alimentado por amizades. Afinal, como ele próprio resume, o segredo está em “fazer novos amigos em cozinhas pelo mundo”.