Em declarações recentes, o ministro ucraniano dos Negócios Estrangeiros, Dmytro Kouleba, sublinhou o compromisso da Ucrânia em reacender e fortalecer as suas relações com o continente africano. Este movimento é uma parte da estratégia a longo prazo de Kiev para contrariar a crescente influência russa em África, a qual, segundo Kouleba, se sustenta em métodos de coerção, corrupção e intimidação.

Após anos de relações negligenciadas com África, a Ucrânia iniciou uma cuidada campanha de aproximação, na tentativa de angariar apoio contra a ocupação russa do seu território, uma crise que se desencadeou em Fevereiro de 2022.

O chefe da diplomacia ucraniana revelou, numa entrevista à AFP, que estão em curso esforços concertados para impulsionar uma renascença nas relações ucraniano-africanas. Kouleba realçou ainda a necessidade de um trabalho consistente e prolongado com o continente africano, tendo já efectuado três visitas a vários países africanos.

Um momento significativo nesta reaproximação foi a visita, em Junho, de uma delegação de líderes africanos à Ucrânia, liderada pelo Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa.

Embora muitos países africanos mantenham uma postura de neutralidade perante o conflito Ucrânia-Rússia, Kouleba assegurou que se verifica uma erosão gradual da presença russa em África. Entre os novos aliados de Kiev no continente, citou-se a Libéria, o Quénia, o Gana, a Costa do Marfim, Moçambique, o Ruanda e a Guiné Equatorial.

Além disso, Kouleba acusou Moscovo de falsidades no que respeita à preocupação com a segurança alimentar em África, depois da retirada de um acordo vital que permitiria a exportação de 33 milhões de toneladas de cereais ucranianos através do Mar Negro.

A recusa russa em Julho deste acordo despertou temores de aumento dos preços dos cereais, afectando principalmente os países mais vulneráveis. Em resposta, o Presidente russo comprometeu-se a fornecer grãos gratuitos a seis nações africanas. Contudo, Kouleba ressalta que os verdadeiros prejudicados são os agricultores ucranianos e os consumidores africanos de pão, que enfrentarão os custos mais elevados da decisão de Moscovo.