O fumo aproxima-se do seu ocaso em solo britânico. Numa decisão que poderá redefinir décadas de políticas de saúde pública, o Reino Unido deu um passo firme rumo à erradicação do tabagismo entre os mais jovens, ao aprovar uma lei que proíbe a venda de tabaco a todos os nascidos depois de 2008.

A medida, já validada pela Câmara dos Comuns e pela Câmara dos Lordes, aguarda agora apenas o aval real — uma formalidade esperada para a próxima semana — para se tornar lei. Quando isso acontecer, qualquer pessoa nascida a partir de 1 de Janeiro de 2009 ficará legalmente impedida de comprar tabaco ou cigarros electrónicos no Reino Unido.

A proposta, apresentada inicialmente a 5 de Novembro de 2024, percorreu um processo legislativo célere, culminando esta semana com a aprovação final das emendas pela câmara alta. O objectivo é claro: travar o ciclo de dependência que há décadas marca gerações inteiras.

“É um momento histórico para a saúde da nação”, declarou Wes Streeting, secretário de Estado da Saúde. O governante sublinhou que esta política permitirá criar “a primeira geração livre de fumo”, protegendo milhões de jovens de uma vida marcada pela dependência e por doenças evitáveis. “Prevenir é melhor do que remediar”, reforçou, acrescentando que a reforma aliviará a pressão sobre o NHS e contribuirá para uma sociedade mais saudável.

Mas a legislação vai mais longe. Para além da proibição geracional, concede novos poderes ao parlamento para expandir as restrições ao consumo em espaços públicos. Áreas exteriores de escolas, hospitais e parques infantis passam a integrar a lista de locais onde fumar será interdito, aprofundando uma política já existente.

Do lado das organizações de saúde, o tom é de aprovação inequívoca. Hazel Cheeseman, directora executiva da Action on Smoking and Health, descreveu a decisão como um ponto de viragem. Recordou que, ao longo dos últimos cinquenta anos, o tabaco foi responsável por milhões de mortes no país, deixando um rasto de sofrimento que poderia ter sido evitado. “Eliminar estes danos é um legado duradouro para as gerações futuras”, afirmou.

Os números ajudam a compreender a dimensão do problema. Todos os anos, o tabagismo provoca cerca de 400 mil internamentos hospitalares e 64 mil mortes no Reino Unido. O impacto financeiro é igualmente expressivo: estima-se que os tratamentos custem cerca de 3 mil milhões de libras anuais ao NHS, enquanto o custo total para a economia inglesa — incluindo perdas de produtividade — oscila entre 21,3 mil milhões e 27,6 mil milhões de libras por ano.

Com esta decisão, o Reino Unido posiciona-se na linha da frente do combate global ao tabaco. Uma aposta ousada, que não elimina de imediato o problema, mas que pretende garantir que, pela primeira vez, uma geração inteira cresça sem nunca acender um cigarro.