Na última segunda-feira (8), o governo anunciou o seu compromisso em reabrir, ainda este ano, o crucial posto de fronteira de Namoto, que une Moçambique à Tanzânia. A província de Cabo Delgado, onde se localiza, tem sido assolada por uma persistente insurreição armada que já dura cinco longos anos. 

"Estamos determinados a restaurar o trânsito em Namoto num futuro próximo, para alívio e benefício da nossa população", afirmou a Ministra do Interior de Moçambique, Arsénia Massingue, após um encontro com líderes provinciais. 

A ministra garantiu que estão a ser realizados esforços para assegurar que a infraestrutura disponha das "condições mínimas indispensáveis para que os moçambicanos possam voltar a utilizar este importante ponto de passagem", sem, no entanto, mencionar uma data específica para tal reabertura.

Foi em Namoto que centenas de moçambicanos procuraram refúgio durante os terríveis ataques de Março e Abril de 2021 em Palma, uma aldeia onde se desenvolvem projectos de gás natural. Os deslocados, em busca de segurança, tentaram atravessar o rio Rovuma rumo à Tanzânia. 

A província de Cabo Delgado tem sido palco, desde 2017, de um conflito que aterroriza e aflige a população local. Grupos rebeldes armados têm perpetrado pilhagens e massacres em aldeias e cidades por toda a província, com vários ataques sendo reivindicados pelo grupo associado ao autoproclamado Estado Islâmico na região. Conforme dados do The Armed Conflict Location & Event Data Project, o conflito já causou mais de 4000 vidas perdidas e, segundo estimativas das autoridades moçambicanas, forçou pelo menos um milhão de deslocados a abandonar as suas casas.