Após duas semanas de isolamento devido às intensas cheias que assolam Moçambique desde Janeiro, o principal acesso rodoviário à vila turística da Macaneta, na província de Maputo, foi hoje reaberto, embora de forma condicionada. A informação foi avançada por Shafee Sidat, presidente do município de Marracuene, que lidera os esforços de restabelecimento em colaboração com a concessionária Revimo e a Administração Nacional de Estradas (ANE).
A estrada R804, cuja portagem ficou completamente submersa, sofreu danos consideráveis. "Foi feita a abertura condicionada da estrada apenas para viaturas com menos de 10 toneladas", esclareceu Sidat, sublinhando que as águas das cheias cavaram um “buraco muito grande” e destruíram condutas essenciais ao longo da via.
Durante o pico da subida das águas, apenas se viam as copas das árvores e palmeiras. Placas de trânsito e cabinas da portagem emergiam parcialmente, denunciando a profundidade da submersão. O trânsito estará também condicionado durante o período nocturno, operando sob o sistema stop and go sempre que necessário, de forma a permitir a continuação dos trabalhos de reparação.
Nos arredores da capital, o município de Marracuene mantém actualmente oito centros de acolhimento activos, prestando apoio a cerca de 3.600 pessoas deslocadas pelas inundações.
O impacto das cheias, agravado desde o início da época chuvosa em Outubro, é devastador: segundo o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), há registo de 153 mortos, 254 feridos e 844.372 pessoas afectadas.
Desde 7 de Janeiro, foram também atingidas 229 unidades sanitárias, 316 escolas e cinco pontes. No sector agrícola, os danos são igualmente profundos: cerca de 440.842 hectares foram afectados, dos quais 275.405 considerados perdidos, com consequências directas para 314.780 agricultores. Adicionalmente, 408.115 animais — entre bovinos, caprinos e aves — foram dados como mortos.
Face à magnitude da catástrofe, a 16 de Janeiro o Governo moçambicano decretou o alerta vermelho nacional. A resposta internacional não se fez esperar: já chegaram ajudas humanitárias da União Europeia, Estados Unidos, Portugal, Angola, Espanha, Timor-Leste, Suíça, Noruega, Japão e de vários países vizinhos.
