Cerca de 400 mil crianças moçambicanas foram alcançadas com serviços essenciais de nutrição, no âmbito do programa “Melhorar a Nutrição Infantil e Fortalecer a Resiliência em Áreas Afectadas por Ciclones em Moçambique”, implementado pela Unicef em colaboração com o Governo moçambicano e a União Europeia. O projecto, que decorreu ao longo de seis anos, permitiu reduzir para 35% os níveis de desnutrição crónica severa em menores de cinco anos naquela província, cuja localização exacta não foi especificada na nota.

Segundo o organismo das Nações Unidas, o sucesso da iniciativa deve-se a intervenções integradas nos sectores de saúde, nutrição, higiene e saneamento, traduzindo-se numa melhoria substancial das condições de vida das crianças.

Além da nutrição, registaram-se reduções significativas em outros indicadores de saúde infantil: tosse (-8%) e febre (-14,7%), reflectindo uma integração eficaz das acções sanitárias com práticas de higiene e alimentação. A Unicef destaca também um aumento de 4% no conhecimento e envolvimento dos cuidadores em práticas de estimulação infantil, fomentado por abordagens de mudança de comportamento social e promoção das chamadas “famílias modelo”.

No domínio do saneamento, mais de duas mil comunidades foram declaradas livres de fecalismo a céu aberto, beneficiando cerca de 780 mil pessoas e reduzindo essa prática de 46% para 31%. Houve ainda um aumento de 20% no acesso ao saneamento básico, bem como melhorias na diversidade alimentar das famílias (+24%) e das crianças (+33%).

Para Mary Eagleton, representante da Unicef em Moçambique, “as crianças naquela província têm agora mais oportunidades de crescer com saúde”, enquanto as famílias demonstram uma maior capacidade para prevenir doenças e adoptar práticas seguras de higiene.

Também o embaixador da União Europeia no país, Antonino Maggiore, sublinhou que os resultados comprovam a eficácia de intervenções integradas e baseadas em evidências, com impactos reais e duradouros.

Este esforço soma-se a outras acções governamentais. Em Novembro, o Governo revelou que mais de 117 mil crianças com menos de dois anos recebem um subsídio estatal com o objectivo de reduzir a desnutrição crónica, que afecta 37% das crianças moçambicanas menores de cinco anos.

A primeira-ministra Benvinda Levi, em declaração feita em Agosto, assinalou uma redução de seis pontos percentuais na taxa de desnutrição crónica infantil em dez anos, apesar da persistência de causas estruturais como os desastres naturais intensos e cíclicos.

Moçambique continua a figurar entre os países mais afectados pelas alterações climáticas, enfrentando cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, entre Outubro e Abril. O período 2018/2019 foi particularmente devastador: 714 mortes, das quais 648 causadas pelos ciclones Idai e Kenneth, considerados dois dos mais destrutivos a atingir o país.