A ministra da Defesa de Portugal, Helena Carreiras, sublinhou a importância da continuidade e fortalecimento da Missão de Treino da União Europeia em Moçambique (EUTM-MOZ). Durante uma visita de trabalho a Moçambique, onde teve um encontro com o seu homólogo moçambicano, Cristóvão Chume, a ministra destacou a necessidade de dar seguimento ao trabalho já iniciado pela missão, que se encontra em fase de reavaliação.

Desde Setembro de 2022, a EUTM-MOZ tem um mandato de dois anos, e até ao final deste ano, em parceria com as autoridades moçambicanas, irá avaliar o futuro da sua presença no país. A missão já formou cerca de 60 instrutores moçambicanos que prosseguirão o treino de forças especiais, sobretudo destinado a militares na linha de frente no combate aos rebeldes em Cabo Delgado, no norte de Moçambique.

A EUTM-MOZ, além de proporcionar treino operativo, tem também fornecido equipamento de combate, superando os 80 milhões de euros em apoio material. A ministra Carreiras frisou a importância de capitalizar o investimento feito na formação de 11 companhias, ampliando o trabalho na área da consolidação e manutenção do ciclo operacional, tanto em termos de formação como de equipamento.

Portugal, que contribui com 65 dos 117 membros do contingente da EUTM-MOZ e detém o comando da missão, mantém-se comprometido em apoiar a renovação ou revisão da missão para maximizar os resultados do trabalho já desenvolvido.

Por outro lado, o ministro da Defesa de Moçambique, Cristóvão Chume, referiu progressos no controlo das áreas mais afectadas pelos ataques rebeldes em Cabo Delgado. Sublinhou também a gratidão de Moçambique pelo apoio internacional, realçando o papel de Portugal, um dos primeiros países a responder ao pedido de apoio internacional de Moçambique.

Cabo Delgado, palco de uma insurgência armada há seis anos com ligações ao grupo extremista Estado Islâmico, tem visto uma resposta militar apoiada por forças internacionais, incluindo o Ruanda e a SADC, permitindo libertar distritos próximos aos projectos de gás. Contudo, a região enfrenta novas ondas de ataques, inclusive na vizinha província de Nampula. O conflito resultou em cerca de um milhão de deslocados e aproximadamente 4.000 mortes.