A Beat Therapeutics, uma jovem startup nascida de um spin-off da Universidade do Porto, está a explorar o potencial de uma planta moçambicana, conhecida como Fruta Sapo, para desenvolver terapias contra cancros agressivos. O composto inovador, designado BBIT20, tem como base um extracto desta planta utilizada na medicina tradicional em Moçambique, e já mostrou provas de conceito promissoras em tumores como o cancro do ovário e pancreático.

Ângela Carvalho, presidente executiva da Beat Therapeutics, explica que o BBIT20 actua ao inibir uma via de reparação do ADN nas células cancerígenas, o que leva à morte selectiva destas células, deixando as células saudáveis intactas. Este avanço resulta de uma parceria científica com a Universidade Pedagógica de Maputo e anos de investigação liderados pela professora Maria José Ferreira.

Desafios de financiamento e produção

Apesar das descobertas animadoras, a startup ainda está numa fase pré-clínica e enfrenta desafios financeiros para avançar com os ensaios em humanos. “Precisamos terminar o percurso pré-clínico, escalar a produção da molécula e cumprir todos os ensaios regulamentares”, afirma Ângela Carvalho, destacando que são necessários pelo menos quatro anos até que os testes clínicos possam começar.

A Beat Therapeutics tem contado com apoios importantes, como os 75 mil euros do fundo europeu Woman in Tech EU, bem como financiamento de iniciativas como a Portugal Ventures e o EIT Health InnoStars. Contudo, o próximo ano será dedicado à procura activa de investimento privado para escalar o desenvolvimento deste composto pioneiro.

“Nesta área, estamos sempre à procura de financiamento”, desabafa Carvalho. Para projectos tão disruptivos, ela destaca que, muitas vezes, é necessário recorrer a fundos de excelência na Europa, como os programas da Comissão Europeia.

Com a ciência a aliar-se à biodiversidade de Moçambique, a Beat Therapeutics abre um caminho promissor para que a riqueza natural do país contribua de forma decisiva para a luta global contra o cancro.