No passado sábado, o Papa Francisco reuniu-se com a comunidade missionária "Médicos com a África - Cuamm" para celebrar os seus 70 anos de existência. Durante o encontro, o líder da Igreja Católica sublinhou a importância de valorizar o "capital intelectual" dos jovens africanos e anunciou uma futura visita ao Sudão do Sul em 2023.
O Papa Francisco expressou a sua gratidão pelo compromisso da comunidade em estar ao lado da África, sublinhando que o continente não deve ser visto como um recurso a ser explorado, mas sim como uma região a ser promovida e valorizada. Recordou ainda o encontro com uma freira na República Centro-Africana em 2015, que dedicou a sua vida a ajudar as comunidades locais, nomeadamente como parteira.
O Pontífice destacou a necessidade de apoiar o desenvolvimento do valioso "capital intelectual" africano, referindo-se a um recente encontro virtual com estudantes universitários africanos, onde ficou impressionado com o seu potencial e capacidade intelectual. Francisco apelou para que estes jovens sejam apoiados e incentivados a prosseguir os seus sonhos e aspirações.
Lamentou ainda a realidade de muitas pessoas em todo o mundo que não têm acesso a cuidados de saúde básicos, considerando-a uma vergonha para a humanidade. O Papa criticou o gasto excessivo em armamento, contrastando-o com a falta de recursos em áreas essenciais como a saúde.
Francisco fez referência a países africanos que lhe são particularmente queridos, como a República Centro-Africana e o Sudão do Sul, sublinhando a sua fragilidade e a necessidade de os apoiar. Encorajou a comunidade missionária a continuar o seu trabalho, mesmo face a desafios e adversidades, e a colaborar estreitamente com as Igrejas locais, governos e outras congregações missionárias.
Em relação à pandemia de Covid e outras crises globais, o Papa observou que a África tem sido particularmente afectada, com o agravamento da pobreza e a falta de sistemas de protecção social. Apelou a uma maior consciência global sobre estas questões e pediu que se dê voz à África, para que os seus desafios e esperanças sejam ouvidos e reconhecidos.
Francisco terminou o seu discurso valorizando o "tesouro" que são os jovens africanos, incentivando a criação de intercâmbios educacionais entre jovens italianos e africanos. Recordou ainda o encontro com uma freira no Congo, que dedicou mais de 50 anos da sua vida a servir a comunidade local, como símbolo da dedicação e compromisso que muitos têm mostrado para com o continente africano. Encorajou todos a seguir o exemplo destes pioneiros e a continuar a apoiar e promover a África.
