A ministra portuguesa do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, defendeu esta Segunda-feira, em Lisboa, o reforço da cooperação no sector energético entre os países que integram a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), sublinhando que se trata de um domínio com potencial ainda pouco explorado no seio da comunidade.

A declaração foi feita no encerramento da III Reunião de Ministros da Energia da CPLP, que reuniu representantes dos nove Estados-membros na capital portuguesa. A governante frisou que “reforçar a cooperação na área da energia” é essencial, uma vez que “não era, tradicionalmente, uma das áreas de cooperação dentro da comunidade”.

Carvalho destacou que esta cooperação se entrelaça inevitavelmente com a agenda climática: “A cooperação tem a ver com melhores práticas e a ajuda entre os vários países, de modo que haja uma descarbonização baseada nas boas soluções e uma transição justa”. Sublinhou ainda a disparidade nos estágios de transição energética entre os países, defendendo uma partilha de conhecimentos e experiências.

Apesar de possuírem reservas de hidrocarbonetos, países como Angola, Moçambique e Timor-Leste demonstraram abertura à adopção de políticas sustentáveis. “Todos os países da CPLP têm como objectivo a descarbonização, ter mais energias renováveis, uma maior descentralização da energia e a electrificação total do território”, reforçou a ministra.

Segundo Maria da Graça Carvalho, a meta é comum: “Mesmo aqueles que têm potencial e exploram recursos fósseis, como Angola e Moçambique, estiveram alinhados na descarbonização”.

Também Zacarias da Costa, secretário executivo da CPLP, defendeu que o sector energético deve tornar-se “cada vez mais, um dos pilares da cooperação” entre os Estados-membros.

A reunião reafirmou um compromisso conjunto para uma transição energética justa, assente na partilha de soluções sustentáveis e na superação das assimetrias existentes entre os membros da comunidade.