Moçambique é um dos países que irá beneficiar do Mecanismo Africano de Financiamento de Fertilizantes (AFFM), para o qual o Conselho de Administração do Banco Africano de Desenvolvimento aprovou uma dotação orçamental de 11,70 milhões de dólares americanos a 16 de Maio de 2023. Este montante, somado a uma dotação orçamental de 4,7 milhões de dólares de 2022, eleva o orçamento do AFFM para 2023 a 16,40 milhões de dólares. Espera-se ainda que a Agência Norueguesa de Cooperação para o Desenvolvimento (NORAD) disponibilize os restantes 10,15 milhões de dólares prometidos em 2022, dos quais 8,6 milhões já foram pagos.

Para 2023, o AFFM tem planos para continuar a execução de três projectos de garantia de crédito comercial, totalizando 8,3 milhões de dólares, na Costa do Marfim, Gana e Zimbabué. Outros projectos, que envolvem garantias de crédito comercial num total de 9,7 milhões de dólares, serão implementados em países como a Tanzânia, Uganda, Moçambique e Quénia. Se a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) cumprir o seu compromisso de conceder 15 milhões de dólares ao AFFM, poderão ser lançados mais três novos projectos no Senegal, na Zâmbia e no Gana.

Os objectivos do AFFM incluem facilitar o acesso dos pequenos agricultores a factores de produção e serviços de extensão, bem como assegurar a utilização adequada dos fertilizantes, aumentar a produtividade agrícola e melhorar as condições do solo. O AFFM pretende trabalhar activamente com países africanos e outros intervenientes-chave para desenvolver os detalhes dos Compactos Nacionais de Alimentação e Agricultura apresentados na Cimeira Alimentar África em Dacar, em Janeiro de 2023.

O AFFM continuará a colaborar com o Centro Internacional de Desenvolvimento de Fertilizantes (IFDC) e a Aliança para uma Revolução Verde em África (AGRA) para melhorar a produção, comércio e utilização de fertilizantes. Adicionalmente, irá realizar uma análise aprofundada da política de fertilizantes em pelo menos dez países africanos, para identificar lacunas e apresentar um plano de acção.

Criado pela União Africana em 2006, o AFFM tem um papel fundamental na resposta às crises alimentares e às ameaças à segurança alimentar em África, que resultam de conflitos, alterações climáticas, pragas de gafanhotos, a guerra da Rússia na Ucrânia e doenças. O AFFM desempenha um papel vital na melhoria da produtividade agrícola, fornecendo o financiamento necessário para impulsionar a utilização de fertilizantes em África.