O Diário do Pescador é um poderoso drama camaronês dirigido por Enah Johnscott que estreou em 2020 no Festival Internacional de Cinema “I Will Tell”.  

Trata-se da aventura de Ekah (Faith Fidel), uma menina africana pobre, de 12 anos, que tem como sonho frequentar a escola. Após conhecer a história de Malala Yousafzai, vencedora do Prémio Nobel da Paz em 2014, sua determinação em busca de conhecimento aumenta, mas seu austero pai, o pescador Solomon (Kang Quintus), opõe-se vigorosamente à ideia de que receba educação escolar, pois pretende que ela ajude a família com as tarefas domésticas, como as restantes meninas da humilde aldeia em que vivem. Apoiada por seu professor, Ekah encontra-se perante um dilema: desafiar o pai ou enfrentar um futuro sombrio.
 


O Diário do Pescador não é um conto de fadas.  Representa uma dura realidade de inúmeras vidas  de jovens do passado, presente e futuro privadas  de um potencial precioso: a educação 


Esta realização, surpreendentemente naturalista, apresenta performances notavelmente autênticas. Com um final que se resolve de forma optimista, o enredo pode parecer convencional, semelhante ao da história de Cinderela, mas o filme não é um conto de fadas. Representa uma dura realidade de inúmeras vidas de jovens do passado, presente e futuro privadas de um potencial precioso. Desta forma, a heroína torna-se uma voz de empoderamento da mulher, apelando para a educação feminina em África.  

A película ganhou diversos prémios internacionais, e foi seleccionada para a categoria de melhor longa-metragem internacional na 93º cerimónia dos Óscares, não chegando, porém, a ser nomeada.  

Com cerca de duas horas e meia de duração e representando uma dura realidade, O Diário do Pescador pode não ser um filme fácil de assistir, mas é certamente um emocionante testemunho do poder do espírito humano perante as adversidades da vida.