A nova inspectora-geral do Estado, Carmelita Namashulua, entrou hoje em funções com uma promessa clara: reforçar a fiscalização na administração pública moçambicana e transformar a Inspecção-Geral do Estado (IGE) numa instituição mais activa, transparente e vigilante na gestão dos recursos públicos.

Num discurso marcado por referências à ética e ao combate à corrupção, Namashulua afirmou que pretende imprimir uma nova dinâmica às auditorias e inspecções realizadas pelo organismo, garantindo uma actuação mais firme sobre o funcionamento das instituições públicas.

“Tudo faremos de modo a que tenhamos uma inspecção mais actuante, que possamos melhorar o processo das auditorias que nós realizamos, das inspecções na administração pública, na gestão transparente de recursos, sejam eles financeiros e materiais”, declarou a nova inspectora-geral do Estado, momentos depois da cerimónia de tomada de posse.

A dirigente, que anteriormente ocupava o cargo de ministra da Educação e Desenvolvimento Humano entre 2020 e 2025, foi empossada na Presidência da República, em Maputo. Na mesma cerimónia tomaram posse Emanuel Mabumo e Laura Nhancale, nomeados inspectores-gerais adjuntos.

Perante os novos dirigentes da IGE, Namashulua reconheceu que a corrupção continua a comprometer o desenvolvimento do país e defendeu uma administração pública mais íntegra e transparente.

“Nós sabemos muito bem que onde há corrupção emperra todo o processo de desenvolvimento. Nós precisamos de uma administração pública que seja mais actuante, transparente e mais ética nas suas acções”, afirmou, prometendo medidas concretas para combater a ilegalidade no aparelho do Estado.

Também presente na cerimónia, o Presidente da República, Daniel Chapo, deixou um recado directo à nova equipa dirigente da IGE: a fiscalização do uso dos recursos públicos deve ser rigorosa, mas os próprios inspectores devem agir como exemplo de integridade.

O Chefe de Estado sublinhou que o país atravessa uma fase decisiva da sua agenda de desenvolvimento económico e social, defendendo que a missão da Inspecção-Geral do Estado será determinante para assegurar o respeito pelas normas, a protecção dos direitos dos cidadãos e a correcta utilização dos recursos públicos.

“Num contexto em que o país prossegue a sua agenda de desenvolvimento económico e social, queremos reiterar que a vossa missão é garantir que os recursos públicos sejam geridos com rigor, que as normas sejam respeitadas e que os direitos dos cidadãos sejam protegidos”, declarou Daniel Chapo.

Num tom mais simbólico, o Presidente apelou ainda à integridade pessoal dos inspectores, afirmando que o combate à corrupção exige não apenas legalidade, mas também conduta irrepreensível.

“Um Estado que exige integridade deve primeiro ser íntegro na sua conduta e actuação. Como bem recorda o adágio popular: ‘à mulher de César não basta ser honesta; é preciso também parecer honesta’”, concluiu.