A província moçambicana de Nampula, no norte do país, conseguiu reabilitar 491 salas de aula das quase 4.000 que foram destruídas por três ciclones tropicais entre Dezembro e Março. O número foi avançado esta segunda-feira à agência Lusa por Faruk Carimo, porta-voz da Direcção Provincial da Educação, que destacou o esforço articulado entre o Governo, parceiros internacionais e comunidades locais para alcançar este resultado.
Os ciclones Jude, Chido e Dikeledi devastaram, no total, 3.939 salas de aula. O mais destrutivo foi o ciclone Jude, responsável por 2.552 dessas destruições, seguido por Chido, com 708 salas afectadas, e Dikeledi, que deixou 679 salas inutilizadas. As obras de reabilitação abrangeram 16 distritos, incluindo Angoche, Ilha de Moçambique, Malema, Moma e Nacala-Porto.
A recuperação ainda está longe de concluída. A província aguarda agora a abertura de um concurso pelo Banco Mundial para a reabilitação de mais 24 salas, ao mesmo tempo que prossegue a mobilização de fundos junto de parceiros de desenvolvimento. De acordo com Carimo, a resposta às mudanças climáticas passa também pela capacitação: “Em 13 distritos já foram formados pontos focais de gestão de riscos e mudanças climáticas, com apoio do Banco Mundial.”
A vulnerabilidade de Moçambique a fenómenos extremos é uma preocupação constante. Segundo o relatório “Estado do Clima em Moçambique 2024”, do Instituto Nacional de Meteorologia, o número e a intensidade dos ciclones têm vindo a aumentar na última década. Chido, que abriu a época chuvosa de 2024/2025, foi também o mais mortífero, contribuindo para um total de cerca de 200 vítimas mortais nessa estação.
O plano de contingência para a presente época chuvosa, que decorre até Abril, prevê que 1,2 milhões de pessoas possam ser afectadas por chuvas intensas, inundações e novos ciclones. Para fazer frente aos riscos, o Governo estima necessitar de 14 mil milhões de meticais (cerca de 190 milhões de euros), dos quais apenas menos de metade estavam garantidos até Outubro.
Na semana passada, o Executivo anunciou ainda a construção de 3.514 novas salas de aula e 11.457 casas nas zonas atingidas pelos ciclones Idai e Kenneth, que em 2019 provocaram 648 mortes. Também foram assinados 600 acordos, num total de 6,4 milhões de euros, destinados à recuperação do tecido empresarial local.
O histórico da época chuvosa de 2018/2019, uma das mais severas registadas, continua a assombrar o país: ao todo, 714 mortes, das quais 648 resultaram directamente dos ciclones Idai e Kenneth. O impacto frequente e devastador destes fenómenos confirma Moçambique como um dos países mais expostos aos efeitos das alterações climáticas a nível mundial.
