Bonés 1975: mais um sucesso de Nivaldo Thierry

Escrito por: Precidónio Silvério

O ano de 1975 jamais se apagará da memória dos moçambicanos e são inúmeras e inquestionáveis as razões para tal. Foi nesse ano, às 0 horas do dia 25 de Junho, que Moçambique proclamou a sua independência do jugo colonial português, uma cerimónia dirigida, ao mais alto nível, pelo então presidente da República Popular, Samora Moisés Machel. 
O hastear da bandeira moçambicana em substituição da portuguesa marcava o fim de longos anos em que várias gerações lutaram para resistir à usurpação da sua terra.  Hoje os moçambicanos cantam o sabor da liberdade, a liberdade de viver, de sonhar, inventar e recriar. Foi por essa liberdade de recriar que 1975 inspirou um jovem estilista moçambicano, Nivaldo Thierry, na concepção de chapéus estampados com o número que indica o ano da independência nacional.

Nivaldo Thierry, para além de nome pessoal é uma marca que o próprio estilista adoptou. Diferentemente de muitos, Thierry apaixonou-se pela moda masculina e seus modelitos são de encher os olhos a muitos jovens. Inconfundíveis, uma marca os confirma: NT, as iniciais do estililista.
 

Nivaldo Thierry já participou em várias exposições dentro e fora do país: África do Sul, Itália, Portugal, Botswana. A sua última participação foi no Macau Fashion Week, onde se destacou como o único moçambicano e africano presente

Os novos bonés entraram no mercado moçambicano no passado mês de Junho, em vésperas do dia comemorativo da independência nacional, ocasião ideal para fazer jus ao que inspirara o estilista: “Eu pensei em quebrar os padrões que vinha usando e a primeira ideia que me ocorreu foi representar a história do nosso país, e um ano como 1975 não tem igual.” O sucesso do novo distintivo foi tal que surpreendeu Nivaldo. Considerara-o apenas uma criação, a materialização de uma inspiração, mas, quando deu por si, ali estava o enigma. “As pessoas procuram sempre saber porquê 1975. Essa curiosidade dá sentido ao artigo, e cada explicação sobre a marca parece uma revelação.”

Pensar no simples, mas diferente 
Uma das particularidades dos artigos de Nivaldo Thierry é a simplicidade com que são concebidos. Desde o design ao casamento perfeito das cores, que, à primeira vista, e mesmo de longe, são profundas e penetrantes. O amarelo-dourado e o preto são muito comuns nos seus artigos. Thierry diz ser pouco detalhista. “Eu acho que tenho uma visão muito simples da moda. Para mim, o design tem que ser simples, sou uma pessoa de poucos detalhes. Quando desenvolvo a ideia de um artigo, fico horas a fio a pensar nesse produto, e isso ajuda bastante.”

Os bonés 1975 esgotaram, mas não a procura. As pessoas querem trajar o boné e a história por detrás do artigo. A empresa decidiu que não vai lançar uma nova colecção ainda este ano. Fica para 2022, no mês da independência. A venda da colecção actual continuará a ser praticamente única e especial, pelos motivos que já conhecemos.

Nascido em 1990, Nivaldo Thierry é licenciado em gestão de empresas e possui um mestrado em gestão de projectos. Conta que poderia estar a trabalhar num escritório, mas decidiu apostar no empreendedorismo. Iniciou a sua trajectória em 2009, inspirado por um amigo, mas quis o destino que um apostasse na moda feminina e o outro na masculina. Confessa não ser fácil, sobretudo num contexto em que o investimento na moda é quase inexistente. Persistência foi o que levou a sua marca aos patamares em que actualmente se encontra. Nessa caminhada, já participou em várias exposições dentro e fora do país: África do Sul, Itália, Portugal, Botswana. A última participação foi no Macau Fashion Week, onde se destacou como o único moçambicano e africano presente, representando o país e o continente.  Recentemente foi distinguido como melhor empreendedor na sétima edição do Prémio Jovem Criativo 2021.