Mina, by Shaazia Adam
 

De onde surgiu a inspiração para esta nova marca?
A inspiração para esta nova marca, Mina, surgiu durante a pandemia da covid-19, altura em que eu notei que muita coisa mudou para todos nós, e que havia uma grande demanda pela moda mais sustentável. Assim, tentei implementar peças mais baseadas em linho e fibras naturais. A Mina é uma marca funcional e versátil e de “loungewear”, o que significa que as pessoas podem usar estas peças tanto de dia como de noite, seja em casa, seja para sair.


A marca surge durante a pandemia. De que forma o cenário em que vivemos contribuiu para a sua criação?
Hoje em dia, é possível notar que as pessoas já estão muito mais conscientes, preocupadas com o meio ambiente e com o que consomem. A marca Mina surgiu, a princípio, apenas direccionada para vendas online, tudo era digital, e nós fazíamos a entrega. Eu criei uma estratégia à volta deste cenário, de uma forma que funcionasse.

Estando as pessoas em lockdown, em casa, não podiam viajar. As pessoas precisavam de consumir roupa, precisavam de consumir algum tipo de produto porque não podiam sair, e foi neste ambiente que criei uma linha de roupa que poderia ser usada em casa, durante reuniões virtuais; pessoas que trabalham poderiam estar bem vestidas, mesmo em casa. Foi a pensar nessas pessoas que criámos peças adequadas à actual conjuntura, para, no fundo, potenciar também a sua auto-estima.


Quais são as principais características desta nova tendência? Que novidades traz ao mercado?  
As características a destacar são a variação de cores. Uso sempre cores naturais, cores neutras, no entanto, por vezes, gosto de trazer um toque mais robusto para a colecção, porque, acredito e digo, Mina é um estilo de vida, e Mina sou eu, cada mulher tem que se sentir representada na marca. Outro aspecto a considerar é a variação das peças em termos de faixa etária.

Quanto às novidades, temos silhuetas novas, roupa leve ideal para o dia-a-dia. Procuramos sempre lançar duas colecções na mesma época: quando é verão, lançamos duas coleções de verão; no inverno vamos lançar duas, e actuamos sempre deste modo. Outro ponto a destacar é que agora dispomos de uma loja física.


Como funciona o teu processo de criação?  
Inspiro-me muito na arte, em peças antigas, na arquitectura… Gosto muito de filmes clássicos, o que me ajuda a trazer um pouco do passado para o presente.


Das colecções passadas, existe alguma de que gostes mais? Porquê?
Tenho uma colecção, em particular, que foi muito importante para mim, a ”Liberation” – realizámos um desfile no Jardim das Acácias. Penso que esta colecção simbolizou muito o meu lado de mulher empoderada, uma vez que acabava de me tornar mãe, e consegui organizar e realizar o evento, que ainda tinha alguma dimensão, o que foi um desafio para mim enquanto mulher empreendedoro a e mãe. Obviamente que tive suporte de alguns parceiros que fizeram parte do projecto, mas foi, sem dúvida, uma colecção que marcou bastante.


Em termos de criação, foi um desfile cheio de luz, com imenso glamour, com vinte e sete looks, bastante elaborados, os bordados a condizer… Da maquilhagem aos penteados, foi tudo muito bem estruturado, e senti-me realizada com o resultado que conseguimos alcançar. Isso deu-me mais força para continuar a criar e lançar coisas novas.

“Inspiro-me muito na arte,  em peças antigas, na arquitectura… Gosto muito de filmes clássicos,  o que me ajuda a trazer um pouco do passado para o presente”


Quando estás a criar uma colecção, quais consideras serem os elementos mais importantes?
As cores, as cores são fundamentais para a criação de uma colecção. Elas devem jogar bem, cada peça na minha colecção tem que poder encaixar-se com as outras, por forma a evitar limitações em termos de não se poder usar uma peça com as outras da colecção. Tudo pode misturar-se, tudo fica bem dentro da mesma colecção ou com peças de que a pessoa já disponha dentro do seu guarda-roupa. No fundo, crio peças que possam criar sinergias umas com as outras.


Pretendes realizar desfiles digitais? Acreditas num formato pensado exclusivamente para as redes sociais e plataformas digitais?
Sim, pretendo. Penso que tudo está a direccionar-se para o mundo digital. É algo que acredito imenso que funciona. Está cada vez mais patente que o digital é o futuro, pelo que estou a trabalhar nisso para os nossos projectos futuros.

Como vês o futuro da indústria de moda pós-pandemia?
Será completamente diferente e, com o tempo, ainda vai mudar consideravelmente. A mudança é positiva porque abriu novos horizontes, nós agora conseguimos fazer mais do que fazíamos antes. Sobrevivemos à pandemia como uma marca pequena, arranjamos soluções e pensamos “out-of-the-box”, e, pós-pandemia, estamos mais preparados para avançar e investir em novos projectos, com uma nova forma de estar.


O que podemos esperar de Shaazia Adam nos próximos tempos?
Vamos continuar a investir na marca Mina, e torná-la uma marca completa em todos os aspectos. Neste momento só temos roupa feminina, mas vamos tentar abranger outros segmentos. A casa Shaazia Adam em si está sempre a criar e a evoluir, a procurar soluções, a inovar, então nós vamos procurar sempre agregar cada vez mais valor. Podem esperar grandes surpresas em termos de roupa e acessórios.  

Na alta costura, estamos a fazer um grande trabalho, que nos tem proporcionado muito sucesso na nossa área de noivas. A alta costura é um dos nossos sectores fundamentais, e é com muito gosto que, quando iniciei a minha carreira, era apenas Shaazia Adam, no entanto, hoje, a Shaazia Adam tornou-se uma casa que tem já duas marcas próprias, e recentemente começámos a trabalhar para a marca que foi criada em homenagem ao grande mestre Malangatana, Hloyase. Portanto, a nossa casa consegue albergar outras marcas, conseguimos abranger outros mercados, e é com muito gosto que me dedico ao meu trabalho e acredito que temos um futuro brilhante pela frente.