As Reservas Internacionais Líquidas (RIL) de Moçambique voltaram a alcançar um marco histórico em Novembro, fixando-se nos 4.053 milhões de dólares, de acordo com os dados mais recentes divulgados pelo Banco de Moçambique.

Este valor representa um crescimento de 3% face a Outubro, mês em que as reservas totalizavam 3.937 milhões de dólares. Já em Agosto, o país havia registado o anterior recorde de 4.035 milhões. A trajectória ascendente iniciada em Setembro — com um aumento mensal de 1% — culmina assim num patamar que permite ao país cobrir mais de três meses de importações, segundo o relatório estatístico da autoridade monetária.

Contudo, o aparente conforto cambial não se reflecte na realidade do tecido empresarial. Álvaro Massingue, presidente da Confederação das Associações Económicas (CTA), alertou, durante a XX Conferência Anual do Sector Privado (CASP), para a persistente escassez de divisas nos bancos comerciais, situação que compromete a capacidade de importação de matérias-primas, o cumprimento de contractos e o crescimento das empresas.

“A escassez de divisas é hoje uma emergência económica. Sem moeda externa, as empresas não importam matérias-primas, não cumprem contractos e não crescem”, sublinhou Massingue. O líder associativo defende prioridade no acesso a divisas para empresas exportadoras e produtoras, bem como a criação de incentivos à exportação e à substituição de importações.

Em resposta às preocupações do sector privado, o governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, garantiu no passado dia 31 de Julho que a instituição tem vindo a aplicar medidas para aumentar a liquidez no mercado cambial.

“Essas medidas não são mais nada que ajustar daqui, tirar daqui, certos recursos, pôr no outro e acompanhar melhor”, afirmou Zandamela, em conferência de imprensa em Maputo, no final de uma reunião do Comité de Política Monetária (CPMO).

O governador detalhou que o banco central reduziu os limites de retenção diária de divisas pelos bancos e elevou de 30% para 50% a taxa mínima de conversão de receitas de exportação, o que deverá traduzir-se numa maior disponibilidade de moeda estrangeira para o mercado interno.

Ainda assim, Zandamela reconheceu que subsiste a necessidade de ajustes em certos segmentos de liquidez, numa tentativa de mitigar os constrangimentos enfrentados pelos operadores económicos.