A assinatura, hoje, da Decisão Final de Investimento (FID) para a construção da segunda plataforma flutuante de Gás Natural Liquefeito (GNL) em Moçambique representa um momento crucial para o país. Avaliado em 7,2 mil milhões de dólares, o megaprojecto Coral Norte, liderado pela petrolífera italiana Eni, marca um novo avanço na Bacia do Rovuma, consolidando Moçambique como um protagonista energético de escala mundial.

Num comunicado emitido pela Presidência da República, o projecto foi descrito como “um passo significativo” para o reforço do estatuto de Moçambique no mercado global de GNL. O Presidente Daniel Chapo participou na cerimónia de assinatura em Maputo, onde destacou o compromisso do Governo com o crescimento económico e a criação de emprego qualificado.

Operado pela Eni em nome da Rovuma Mozambique Venture (MRV) — consórcio que integra também a ExxonMobil e a China National Petroleum Corporation (CNPC) —, o Coral Norte irá replicar o modelo da plataforma Coral Sul, em funcionamento desde 2022. Com uma capacidade anual prevista de 3,55 milhões de toneladas (mtpa), a nova unidade contará com seis poços de produção e deverá iniciar operações no segundo trimestre de 2028.

Segundo o Governo moçambicano, o projecto prevê a criação de 1.400 empregos directos para cidadãos nacionais e a implementação de um plano de sucessão que visa elevar os níveis de qualificação técnica da mão-de-obra local.

A projecção de receitas é ambiciosa: 23 mil milhões de dólares ao longo de 30 anos, com o compromisso de canalizar 25% do gás produzido para o mercado interno, além de 100% do condensado para geração de energia, fomentando assim a industrialização nacional.

O investimento insere-se na segunda fase de desenvolvimento do campo Coral Norte, sob tutela do Ministério dos Recursos Minerais e Energia, e representa uma infra-estrutura flutuante de última geração, ancorada ao largo da província de Cabo Delgado.

Num encontro com o Presidente moçambicano, em Janeiro deste ano, o CEO da Eni, Cláudio Descalzi, reiterou a intenção de ampliar a presença da empresa em Moçambique, afirmando que o país “projecta-se cada vez mais no panorama global do gás natural”.

Um estudo divulgado pela consultora Deloitte, em 2024, estimou que as reservas de GNL em Moçambique têm um potencial de receitas na ordem dos 100 mil milhões de dólares, colocando o país entre os líderes mundiais em recursos energéticos.

Actualmente, existem três megaprojectos aprovados para exploração da Bacia do Rovuma. Além da Eni, destacam-se o projecto da TotalEnergies, com capacidade de 13 mtpa, em processo de retoma após uma pausa provocada por ataques terroristas em Cabo Delgado, e o da ExxonMobil, com 18 mtpa, ainda a aguardar decisão final.

Desde 2022, Moçambique arrecadou 235 milhões de dólares com 137 carregamentos de GNL e condensado a partir da plataforma Coral Sul, consolidando a relevância estratégica destes empreendimentos.