A entrega de mais duas locomotivas pela empresa estatal indiana Rail India Technical and Economic Service (RITES) à companhia Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) representa mais um passo decisivo no esforço de modernização do sistema ferroviário nacional. Estas unidades fazem parte de um pacote de dez locomotivas diesel-eléctricas, num negócio avaliado em 37,68 milhões de dólares.

A cerimónia de entrega decorreu na passada Sexta-feira, em Maputo, e contou com a presença do ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, que reiterou a importância estratégica do investimento. “Estas locomotivas são (…) a prova de que estamos a investir para ter um sistema ferroportuário moderno, eficiente, competitivo e preparado para servir a economia nacional e a região”, declarou o governante.

Matlombe sublinhou ainda que Moçambique tem vantagens geográficas que devem ser potenciadas: “Moçambique tem uma vantagem que não podemos desperdiçar: a localização estratégica dos nossos portos e das nossas linhas férreas. Se soubermos valorizá-la com investimentos consistentes e gestão eficiente, seremos a solução logística natural da África Austral.”

Do lado da empresa pública moçambicana, o presidente do Conselho de Administração dos CFM, Agostinho Langa, assinalou que o reforço da frota responde a uma procura crescente nos corredores logísticos, impulsionada, sobretudo, pela dinâmica do mercado sul-africano e zimbabueano. “Com a abertura do sistema sul-africano para operadores ferroviários privados, perspectiva-se sobretudo para esta região sul uma grande pressão com aumento de oferta de cargas em Komatipoort, o que significa que CFM deve estar preparado, com meios próprios, para fazer face a esta oferta”, destacou Langa.

Recorde-se que, em Novembro de 2023, a RITES tinha anunciado, através da bolsa de valores indiana, que o contrato para o fornecimento das locomotivas foi-lhe adjudicado por apresentar a proposta mais competitiva entre os concorrentes. No entanto, relativamente ao fornecimento de 300 vagões, a empresa indiana ficou de fora, tendo o concurso sido ganho por outro fornecedor, cujo nome não foi divulgado.

A aposta do Governo moçambicano no sector ferroviário insere-se num plano mais vasto de requalificação da logística nacional, sustentado por previsões optimistas: segundo dados recolhidos pela Lusa em Maio, espera-se um crescimento de 26,6% no tráfego ferroviário em 2025.