A agricultura moçambicana entra numa nova fase de modernização e sustentabilidade com o lançamento do projecto PRASL – Promovendo a Agricultura Regenerativa para Subsistência Sustentável, anunciado a 17 de Abril. Esta iniciativa, com a duração prevista de três anos, visa promover práticas agrícolas regenerativas junto de pequenos produtores, com especial enfoque em mulheres e jovens adultos. 

Através de uma aliança entre a HEINEKEN Moçambique, a Solidaridad Southern Africa, a Kvuno, a Hiveonline e a HEINEKEN Africa Foundation, o projecto pretende responder aos crescentes desafios enfrentados pelos agricultores moçambicanos, como a degradação dos solos e a irregularidade climática. O PRASL será implementado no distrito de Boane, região escolhida para acolher esta aposta estratégica em práticas agrícolas sustentáveis e inclusivas. 

“O futuro do país está na transformação dos pequenos agricultores em agentes económicos resilientes e sustentáveis. Não basta sobreviver — é preciso prosperar”, afirmou Francisco Nhanale, Director Nacional da Solidaridad Moçambique. 

O projecto promove capacitação técnica, acesso a mercados, formação digital e inclusão financeira, pilares fundamentais para fortalecer o ecossistema agrícola local. O uso de plataformas digitais para registo de produção, rendimentos e custos será central na criação de perfis financeiros sólidos, capazes de atrair investimento bancário e garantir maior visibilidade aos agricultores. 

“Sem dados concretos, os agricultores permanecem invisíveis para o sector financeiro. Este projecto vem alterar esse paradigma”, explicou Lydia Banda, da Kvuno, que coordena a componente digital da iniciativa. 

Com metas claras de equidade de género e inclusão juvenil, o PRASL assegura que pelo menos 60% dos beneficiários sejam mulheres e 30% jovens adultos, promovendo competências de liderança e empreendedorismo agrícola em sectores tradicionalmente sub-representados. 

Mais do que um simples programa de formação, o PRASL pretende criar raízes profundas de mudança no modo como se pratica agricultura em Moçambique. A visão partilhada pelas entidades envolvidas é de longo prazo: fomentar um sector agrícola mais autónomo, resiliente e conectado ao mercado. 

“Estamos profundamente comprometidos com o desenvolvimento sustentável e com o empoderamento dos pequenos agricultores. Investir na agricultura africana é investir no futuro do mundo”, destacou Edwin Moerkerk, Director-Geral da Fundação HEINEKEN África. 

Com o arranque formal em 2024 e término previsto para 2027, o PRASL promete deixar um legado de conhecimento local, práticas regenerativas consolidadas e acesso contínuo a tecnologias e financiamento. Um investimento estratégico, tanto no presente da agricultura moçambicana como no seu futuro.