Numa jogada que revela o crescente interesse europeu em moldar o futuro digital de África, o Governo italiano anunciou um investimento de 100 milhões de dólares norte-americanos para financiar, em Moçambique, o projecto Digital Flagship for Africa. Trata-se de uma iniciativa estruturante, concebida para posicionar o continente no novo tabuleiro geopolítico da era digital.
O projecto foi apresentado esta segunda-feira, em Maputo, por Mauro Draoli, representante da Agência Digital da Itália, no âmbito de um Workshop sobre Pensamento Sistémico para a Transformação Digital. A cerimónia marcou não apenas o arranque simbólico da cooperação, mas o reconhecimento tácito de que o futuro de África — e de Moçambique — passará inevitavelmente pela digitalização dos seus sectores público e privado.
A iniciativa insere-se no Plano Mattei, uma estratégia global concebida por Itália para reforçar laços com África e promover o desenvolvimento sustentado. Nesta fase piloto, abrange quatro países africanos: Moçambique, Senegal, Costa do Marfim e Gana. A aposta é clara — acelerar a modernização digital e, com ela, a inclusão social e económica.
Mauro Draoli explicou que Moçambique foi escolhido por ser terreno fértil para a criação de incubadoras tecnológicas em áreas-chave do Estado e do empresariado nacional. A intenção é clara: fomentar um ambiente onde ideias e startups possam germinar, sob a sombra protectora de uma colaboração internacional estruturada.
"A Digital Flagship for Africa é executada pelo PNUD em coordenação com a Agência Italiana para a Digitalização. O nosso objectivo é reforçar os serviços públicos digitais, combater o fosso tecnológico e dotar as instituições de competências para o século XXI", afirmou Draoli, citado pela AIM.
Para concretizar esse desígnio, foram seleccionadas instituições públicas envolvidas em programas de inclusão e transformação digital, que serão avaliadas quanto às suas necessidades, sensibilidades e potencial de impacto.
Entre elas, destaca-se o Instituto Nacional de Comunicações de Moçambique (INCM), que já implementa um vasto leque de projectos como as Praças Digitais, Internet nas Escolas, Bibliotecas Digitais, Alpendres de Televisão Digital para Comunidades Rurais, Conectividade Rural e a expansão da telefonia móvel para zonas remotas. Tudo isto financiado, em boa parte, pelo Fundo do Serviço de Acesso Universal (FSAU).
Este financiamento italiano não é apenas um gesto de cooperação — é uma afirmação de que Moçambique pode tornar-se um farol digital no Índico, se souber usar a bússola.
