Com o objectivo de revitalizar o sector turístico e duplicar o número de visitantes estrangeiros, o Governo moçambicano pretende implementar uma nova taxa de turismo aplicada sobre os custos de alojamento, segundo consta do Plano de Recuperação e Crescimento Económico (Prece), ao qual a agência Lusa teve acesso.
De acordo com o documento, esta medida visa reforçar o contributo do turismo na criação de empregos, impulsionar o marketing do destino Moçambique e posicionar o país como um concorrente mais sólido entre os principais destinos da região. Actualmente, o orçamento anual alocado à promoção turística ronda os 350 mil dólares (cerca de 301 mil euros) — montante considerado insuficiente quando comparado com os 60 milhões de dólares (51,6 milhões de euros) investidos pela vizinha África do Sul.
A nova taxa, cujos valores concretos ainda não foram revelados, reverterá a favor da promoção turística, capacitação profissional, criação de padrões de qualidade no sector e melhoria das infra-estruturas. A ambição do Governo passa também por facilitar o acesso ao financiamento para operadores nacionais e diversificar a oferta turística do país.
O Executivo traça metas claras e ambiciosas: aumentar a retenção média por turista de 125 dólares (108 euros) para 500 dólares (431 euros) e, em termos agregados, elevar a receita anual do turismo estrangeiro de 62,5 milhões de dólares (53,8 milhões de euros) para 500 milhões de dólares (430 milhões de euros).
Se bem-sucedido, este reforço estrutural permitirá elevar o peso do turismo no Produto Interno Bruto (PIB) dos actuais 1,1% para 5%, com impacto directo nas receitas fiscais, criação de emprego e no valor acrescentado de produtos e serviços nacionais.
