Em forte defesa de uma reformulação do encargo da dívida externa, o líder das finanças moçambicanas propôs um investimento significativo no sector da saúde do país. Max Tonela, Ministro da Economia e Finanças, estipulou que seriam necessários cerca de 900 milhões de dólares, aproximadamente 802 milhões de euros, para a construção de hospitais em todos os distritos do país.

Esta proposta foi apresentada durante a conferência de investidores para a área da saúde ocorrida em Maputo. Tonela mencionou que o plano proposto pode ser visto como uma terceira via, onde a dívida pública seria convertida em investimento na saúde, com valores destinados à expansão da rede sanitária.

 Adicionalmente, o Ministro apontou que outras duas vias de captação de recursos para o sector seriam a formação de parcerias público-privadas fortes e o incentivo ao investimento directo estrangeiro. Enfatizou a importância dessas alternativas ao lembrar que Moçambique, como país de baixa renda com recursos financeiros limitados, enfrenta desafios para disponibilizar fundos para infra-estruturas sociais adequadas.

Tonela destacou que, apesar das limitações orçamentais, o Governo de Moçambique tem aumentado progressivamente a distribuição de recursos para a saúde, aproximando-se da meta definida na Declaração de Abuja aprovada pelos Estados africanos. 

Os dados relativos aos últimos cinco anos mostram um crescimento nas alocações orçamentais para a saúde. O sector recebeu 20 mil milhões de meticais (278 milhões de euros) em 2017, representando 10,7% da despesa total do Orçamento do Estado. Em 2022, esse valor subiu para 43,3 mil milhões de meticais (603 milhões de euros), ou seja, 12,5% do orçamento.

Para o ano de 2023, Tonela indicou que está planeada a afectação à área da saúde de 13% da despesa total do Orçamento do Estado.