Maputo - A Ministra da Agricultura e da Alimentação de Portugal, Maria do Céu Antunes, afirmou quinta-feira passada, em Maputo, que Moçambique possui condições excepcionais para auxiliar Portugal na importação de cereais. A declaração surgiu após um encontro com empresários portugueses do sector agrícola a operar em Moçambique.
Maria do Céu Antunes destacou que, apesar de Portugal não ser auto-suficiente na produção de cereais, tanto para consumo humano quanto para produção de rações animais, Moçambique emerge como um parceiro estratégico neste domínio. "Moçambique pode e deve contribuir para este esforço conjunto", salientou a ministra, evidenciando a necessidade de uma colaboração reforçada entre os dois países.
A governante portuguesa sublinhou as condições favoráveis que Moçambique oferece para o desenvolvimento agrícola e agro-industrial, apontando, no entanto, a necessidade de melhorias em aspectos como logística e cadeias de transporte, além de financiamento mais atractivo para impulsionar o sector.
Durante o primeiro Fórum de Investimento União Europeia - Moçambique, realizado na quarta-feira em Maputo, a ministra enfatizou a importância de investir na agricultura africana, especialmente em Moçambique, dadas as suas condições climáticas e de solo favoráveis. Este apelo surge num contexto marcado pelos desafios globais impostos pela pandemia de covid-19 e conflitos armados em várias regiões do mundo.
Além disso, Maria do Céu Antunes referiu que Portugal está a colaborar com Moçambique na certificação da qualidade dos produtos alimentares moçambicanos, no âmbito do Plano Estratégico para a Cooperação 2022-2026. Este esforço conjunto abrange áreas como a segurança alimentar, a preservação e multiplicação de sementes, aspectos cruciais para o fortalecimento da agricultura e do agro-negócio em Moçambique.
A ministra concluiu reforçando a ideia de que o momento é propício para repensar e intensificar os investimentos em África, e em particular em Moçambique, um país com grande potencial para se tornar um actor chave no abastecimento de cereais a Portugal e, por extensão, à Europa.
