O Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO) iniciou a fase piloto de um centro de monitoria de contravenções nas estradas, numa iniciativa que visa reforçar o combate à sinistralidade rodoviária em Moçambique, informaram esta semana as autoridades.
“O INATRO está neste momento na fase piloto de operacionalização de um centro de monitoria de contravenções”, afirmou Cláudio Zunguze, administrador do pelouro técnico da instituição, no âmbito da apresentação de medidas sancionatórias contra um condutor de transporte semicolectivo recentemente apanhado em flagrante a executar manobras perigosas numa das principais avenidas de Maputo.
Segundo Zunguze, este centro pretende reduzir a dependência de vídeos captados por cidadãos comuns, frequentemente partilhados nas redes sociais como forma de denúncia. “Não gostaríamos de ficar apenas dependentes da boa vontade de cada um dos automobilistas, mas também estamos a buscar recursos tecnológicos para nos ajudar a identificar situações que ponham em causa a segurança dos usuários da via”, sublinhou.
Apesar de valorizar a iniciativa cívica de documentar infracções, o responsável alerta para os riscos associados, como a potencial distracção dos condutores durante a gravação dos vídeos.
O condutor envolvido no caso que motivou a reacção do INATRO foi sancionado com uma suspensão da carta de condução por um período de um ano e multado, embora o valor da coima não tenha sido divulgado. A instituição classificou a infracção como “grave”.
Esta medida insere-se num contexto de crescente preocupação com os níveis de sinistralidade rodoviária no país. Em Novembro último, o Presidente da República, Daniel Chapo, apelou a uma actuação mais firme da polícia para conter o número de acidentes. O chefe de Estado revelou que, entre Janeiro e Setembro de 2025, Moçambique registou 408 acidentes de viação, uma ligeira descida face aos 459 ocorridos no mesmo período de 2024. No entanto, o número de vítimas mortais subiu para 662, face aos 555 óbitos registados no ano anterior.
O centro de monitoria agora em fase experimental representa, assim, uma aposta nas ferramentas tecnológicas como aliadas na fiscalização do trânsito e na promoção de uma cultura rodoviária mais segura.
