Moçambique lançou no Quénia um apelo firme a favor de uma cooperação mais intensa entre os países africanos para combater a pirataria marítima e travar a pesca ilegal que continua a ameaçar os recursos do continente. A posição foi apresentada durante a Cimeira África-França, que decorre desde segunda-feira em Nairobi, e colocou no centro do debate a necessidade de proteger os mares africanos e garantir financiamento para a chamada economia azul.
Foi o ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino, quem levou a mensagem moçambicana à reunião internacional. Falando aos jornalistas à margem do encontro, o governante defendeu a criação de mecanismos conjuntos capazes de responder às ameaças que se multiplicam ao longo da costa africana.
“Nós defendemos uma maior cooperação entre os países africanos e também regionais, primeiro para a criação de mecanismos para defendermos os nossos mares contra a pirataria, a pesca não reportada e a pesca ilegal”, afirmou.
O ministro revelou ainda que Moçambique prepara a inauguração, “muito em breve”, de um centro de comando conjunto da SADC, a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral. Segundo explicou, a estrutura faz parte do esforço regional para reforçar a vigilância marítima e coordenar respostas contra actividades ilegais nas águas do sul do continente.
Mas a intervenção moçambicana foi além da segurança marítima. Roberto Mito Albino insistiu igualmente na necessidade de criar instrumentos financeiros próprios para apoiar a economia azul em África, defendendo que o sector precisa de maior reconhecimento junto das instituições financeiras internacionais.
“Também discutimos a necessidade de financiamento para a economia azul e defendemos que ela tem que ter visibilidade nas instituições financeiras internacionais”, declarou o governante, acrescentando que Moçambique propõe a criação de um fundo africano destinado especificamente ao financiamento deste sector estratégico.
O objectivo, explicou, passa por permitir que os países menos desenvolvidos tenham acesso a recursos financeiros que lhes permitam executar os seus planos estratégicos ligados à exploração sustentável dos mares, pesca, conservação marinha e desenvolvimento costeiro.
A organização da Cimeira África-França considera que o encontro representa uma oportunidade para redefinir as relações entre África e os seus parceiros internacionais. Segundo a nota oficial, a reunião procura promover “uma parceria mais equilibrada, equitativa e mutuamente respeitosa”, baseada no multilateralismo, no desenvolvimento sustentável e no reforço do protagonismo africano perante os desafios globais emergentes.
