Inhassoro, Moçambique – O Presidente da República, Daniel Chapo, inaugurou esta terça-feira, em Inhassoro, província de Inhambane, a nova Fábrica de Processamento Integrado (FPI), que marca um momento decisivo na trajectória de Moçambique rumo à soberania energética e industrialização. A cerimónia contou igualmente com a presença do Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, sinal de um reforço da cooperação regional no sector energético.
Fruto de um investimento de mil milhões de dólares (equivalente a 866 milhões de euros), a unidade resulta do Acordo de Partilha de Produção (PSA) entre o Governo moçambicano e a multinacional Sasol, da África do Sul. A nova infra-estrutura insere-se numa estratégia mais ampla de transformação económica, focada na valorização local dos recursos naturais.
“Estamos a transformar o gás em desenvolvimento, gás em indústria, gás em empregos e gás em dignidade para o povo moçambicano. É isto que significa construir os alicerces da Independência Económica”, declarou Chapo, perante uma plateia composta por membros do Governo, representantes da Sasol e líderes comunitários.
A fábrica irá produzir anualmente 53 milhões de megajoules de gás natural, destinados à implementação da Central Térmica de Temane (CTT), com capacidade para gerar 450 megawatts de energia eléctrica. Adicionalmente, estima-se a produção diária de quatro mil barris de petróleo leve e, anualmente, 30 mil toneladas de Gás de Petróleo Liquefeito (GPL), também conhecido como gás doméstico.
A nova unidade permitirá reduzir até 70% a dependência nacional de importações de gás, aumentar a disponibilidade de combustíveis no mercado interno e dinamizar o sector energético com novas oportunidades de negócio e emprego, sobretudo para jovens e mulheres, sublinhou o Presidente.
"Moçambique dá aqui um passo decisivo na concretização da visão estratégica de transformar localmente os nossos recursos naturais, gerar mais valor em território nacional e reforçar a soberania energética", destacou Chapo.
O empreendimento inscreve-se nas celebrações dos 50 anos da independência nacional, assinalados em 2025, sendo apontado pelo chefe de Estado como um “marco decisivo” na construção dos alicerces da independência económica do país. A parceria com a Sasol foi, segundo Chapo, prova de que colaborações responsáveis e assentes em respeito mútuo podem gerar benefícios concretos para a economia e para as comunidades locais.
“A produção só é relevante quando transforma a vida do povo, e a energia só tem sentido quando chega aos lares, às fábricas, às escolas, aos hospitais e às comunidades”, frisou.
Iniciado em 2022, o projecto sofreu revisões nos prazos de conclusão. A produção, inicialmente prevista para 2024, foi adiada para Março e posteriormente para Novembro deste ano, altura em que a Sasol realizou o carregamento experimental do primeiro lote de GPL.
O empreendimento integra, ainda, uma visão de longo prazo que contempla o fornecimento de gás para fins industriais, expansão da indústria petroquímica, produção de fertilizantes e desenvolvimento de corredores industriais, pilares considerados cruciais para o novo ciclo de governação.
