A cooperação entre Portugal e Moçambique acaba de conhecer um novo capítulo com a assinatura de um protocolo que visa reforçar a capacitação técnica e a valorização social dos farmacêuticos moçambicanos. O entendimento, firmado em Maputo, envolve a Ordem dos Farmacêuticos de Portugal (OFP), a Associação dos Farmacêuticos de Moçambique (Afarmo) e a Autoridade Nacional Reguladora de Medicamento (Anarme).

O acordo prevê a realização de acções formativas contínuas — entre seminários, workshops e cursos, presenciais ou online — bem como a criação de campanhas de comunicação voltadas para a sensibilização da população quanto ao papel fundamental do farmacêutico e ao uso racional de medicamentos.

Segundo a presidente da Afarmo, Bélia Muchanga, as formações serão adaptadas à realidade moçambicana, respeitando as particularidades do sistema de saúde do país. “O que a Ordem vai fazer é passar toda a experiência que tem no processo de divulgação de informações para a sociedade. Estes programas serão preparados em conjunto, não se vai fazer traspasse do que é em Portugal para Moçambique”, afirmou.

Além de apoiar tecnicamente os profissionais, a OFP vai colaborar na produção de conteúdos educativos a serem difundidos nas rádios, televisões, plataformas digitais e unidades sanitárias. O objectivo é também combater a prática da automedicação, ainda comum em muitas regiões do país.

Moçambique encontra-se ainda sem uma Ordem oficial dos Farmacêuticos, mas esforços estão em marcha para a sua constituição até 2026, data prevista para acolher o Congresso dos Farmacêuticos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). A Afarmo, com 250 membros registados num universo de 1.700 profissionais reconhecidos pela Anarme, lidera este processo.

Na perspectiva da líder da Afarmo e também presidente da Associação dos Farmacêuticos dos Países de Língua Portuguesa (AFPLP), a cooperação internacional é essencial para enfrentar desafios como a ausência de cursos de especialização em Moçambique, as limitações de acesso ao mercado de trabalho e a necessidade de revisão da Tabela Salarial Única (TSU).

Muchanga destacou ainda a necessidade de harmonização curricular na CPLP: “Todos os países membros têm realidades completamente diferentes nos seus sistemas de saúde, mas o profissional deve desenvolver as mesmas acções. Por isso, estamos a fazer esta avaliação curricular para padronizar tecnicamente os farmacêuticos”.

A colaboração agora estabelecida representa um passo firme rumo à valorização da profissão farmacêutica em Moçambique, com impacto directo na qualidade dos serviços prestados no sistema nacional de saúde.