MFW

Mozambique Fashion Week

Moda para seguir em frente
Em 2004, uma iniciativa mostrou que na passarela se pode fazer revolução. Volvidos 17 anos, o Mozambique Fashion Week (MFW) ainda tem a mesma sede de liberdade e luta para quebrar tendências que aprisionam. Consciente de que o futuro é a moda, a iniciativa segue em frente, e acende as luzes do Montebelo Indy, cidade de Maputo, de 7 a 11 de Dezembro, para deixar desfilar mais de 70 estilistas nacionais e internacionais, entre marcas e young designers. Os números alcançados superam todas as edições. Além da competição dos jovens estilistas, Young Designer, o MFW conta com o Challenge Vodacom, que vai premiar a melhor colecção inspirada no tema Inclusão e Diversidade. O lema para este ano é New Age: Fashion Forward, que dá continuidade ao conceito do ano passado. No entanto, será focado na realidade do novo normal e na beleza que é ser um ser humano.

A génese da moda moçambicana
Tudo começou no longínquo ano de 2004. Enquanto o mundo desfrutava o quarto ano do século XXI, um grupo de entusiastas acertava os últimos detalhes de um evento que levou o nome de Mozambique Fashion Week (MFW). A iniciativa ergueu os pilares da indústria da moda em Moçambique, ampliou o mercado para os estilistas existentes e inspirou uma nova vaga de jovens talentosos que fazem a pérola brilhar além do Índico. O MFW sempre mostrou que não é apenas um evento glamoroso, é um ecossistema sustentável para talentos criativos e marcas moçambicanas, permitindo que prosperem na comunidade global. Consistente e preocupado com os rumos da moda moçambicana, o MFW transformou-se em plataforma de moda, a maior que o país já viu e uma das mais bem estruturadas e com argumentos para ser a melhor de África. Focada na descoberta, incentivo, capacitação e promoção da moda moçambicana, o MFW busca formas de profissionalizar todos os que fazem parte da cadeia, para solidificação da indústria. Mas não é só para estilistas, modelos e apreciadores de colecções, há também espaço para a música, artes plásticas e gastronomia. O evento envolve marcas, cadeias de hotéis, turismo, e usa a moda para mostrar o melhor de Moçambique ao mundo. O evento impulsionou o nome de estilistas que hoje representam o país além-fronteiras. Os números falam por si, são mais de 30 os estilistas moçambicanos que já fizeram mostras no estrangeiro e participaram em formações pelas mãos do MFW. Devido à plataforma, a “Pérola do Índico” está no mapa da moda mundial, sendo que a iniciativa integra o circuito da Commonwealth Fashion Culture.

Responsabilidade social
A componente social é uma das grandes apostas do MFW, que nos anos anteriores foi pioneiro na consciencialização do cancro da mama. Caras conhecidas, como Sónia Sultuane, Anabela Adrianopoulos, Glória Muianga, Maria José Sacur, entre outras, juntaram-se à causa e desfilaram em prol da causa. As peças envergadas pelas figuras mediáticas foram depois leiloadas e a receita reverteu para o combate àquele mal. O cancro da pele também já mereceu destaque. As questões climáticas já mereceram várias vezes atenção no MFW, através de inúmeras iniciativas e campanhas, como a “Passarela Azul”, em 2015. Na acção foi erguida uma passarela sustentável, construída inteiramente com 5 mil ladrilhos confeccionados com 250 mil tampas de garrafas plásticas. Em 2019, no Dia Mundial da Conservação da Vida Selvagem, foi lançada a campanha Unwanted Fashion. O mote era mostrar que os animais estão a sofrer com a nossa poluição. Por isso, transformou-se o lixo que é despejado nos oceanos em acessórios de moda, e os animais em influenciadores digitais.  Além da campanha digital, foi organizada, também, uma exposição de esculturas de animais marinhos, usando materiais reciclados. Ainda no âmbito da acção, foi construída uma árvore de 6 metros, feita com lixo reaproveitado e iluminada com energia de painéis solares. Em resumo: mais de uma tonelada de plástico recolhido do oceano foi usada para estas iniciativas.

Além das questões climáticas, o MFW foi pioneiro ao usar a moda para conscientizar a sociedade sobre vários temas, tais como os Direitos LGBTQ, Violência Doméstica, Tráfico de Crianças, entre outros.

Humano é bonito
Provando que a moda é para todos, este ano, mais uma vez, o MFW lança uma campanha de responsabilidade social, com o intuito de promover o amor pelas diferenças. A ideia é quebrar o estereótipo que diz que a beleza é reflectida por um certo padrão de aparência, que muitas vezes exclui a maioria. Pessoas são obrigadas a deixar de ser o que são para servir os padrões. A iniciativa quer exaltar a auto-estima e conseguir vencer os estereótipos enraizados na indústria da moda. A campanha de responsabilidade social deste ano tem como foco a auto-estima, que reflecte um “Eu Positivo” das pessoas. Com a ajuda de alguns activistas que aceitaram partilhar as suas histórias de superação, o MFW promete ir além da caixa, derrubando padrões impostos pela sociedade para colocar pessoas “socialmente excluídas” a criar uma realização de amor e orgulho pela sua beleza natural. A meta é superar o desafio de criar uma campanha que vai transformar, educar e fazer com que a sociedade acredite, firmemente, que o padrão de beleza é ser feliz ao jeito de cada um, sem julgamentos, porque a auto-estima importa mais do que conceitos de beleza. “O MFW é para seres tu. Então vai e sê! Sê a coragem. A mudança. A evolução. A moda. Encontra o teu lugar num mundo feito por todos.” A ideia é criar uma realização de amor e orgulho pela beleza natural que se tem, mostrando que cada ser humano, por ser humano, é BONITO.


Inovar para vencer adversidades 
Em 2020 o caos apresentado em filmes de ficção científica, como a longa-metragem “Contagion”, que retrata o cenário apocalíptico causado por um vírus respiratório, saiu das telas e incorporou-se nas vidas de milhares de pessoas que viram as suas vidas em colapso. No mundo dos negócios, muitas empresas faliram, a taxa de desemprego aumentou e a economia mundial ficou em quarentena. Nas artes, vários eventos foram adiados e as plataformas digitais foram a alternativa para a manutenção da vida social do planeta. Moçambique também se ressentiu. No entanto, o Mozambique Fashion Week tem o orgulho de demonstrar que superou o ano que derrubou muitas iniciativas, marcas e empresas. Com a cabeça erguida, a maior plataforma de moda nacional reinventou-se e realizou a sua 16ª edição. Com a experiência de 2020, este ano, mais uma vez, a organização do MFW está comprometida com a segurança e bem-estar da equipa, dos estilistas, modelos e convidados, pelo que todas as medidas recomendadas pelas autoridades de saúde estão asseguradas no local dos desfiles, e todas as acções serão transmitidas através dos meios tradicionais e plataformas digitais. A realização da 17ª edição do MFW é prova de resiliência, uma virtude que é própria dos seres humanos que, em situações difíceis, não desanimam e dão a volta por cima.