O dinheiro circulou com maior intensidade entre os bancos, os volumes de dólares negociados cresceram e os recursos estacionados no Banco de Moçambique diminuíram de forma acentuada. Ainda assim, entre 10 e 15 de Setembro, uma das principais referências do mercado permaneceu praticamente imóvel: o preço do dólar.
Os dados do mercado monetário interbancário mostram, ao mesmo tempo, uma redução gradual do défice de liquidez em moeda nacional. A posição continuou negativa, mas a diferença entre as reservas bancárias e as reservas obrigatórias encolheu em cerca de 1,83 mil milhões de Meticais durante o período analisado.
A 10 de Setembro, o Banco de Moçambique registava um desvio negativo de 6,66 mil milhões de Meticais. Apenas um dia depois, o défice já tinha baixado para 6,25 mil milhões.
A tendência manteve-se. A 14 de Setembro, o valor recuou para 5,17 mil milhões e, no dia 15, situou-se em 4,83 mil milhões de Meticais negativos.
Em quatro observações, o sistema bancário continuou, portanto, deficitário em moeda nacional, mas reduziu de forma consistente a dimensão desse desequilíbrio. Em paralelo, a taxa média efectiva das reservas obrigatórias em moeda nacional passou de 37,88% para 38,16%.
Bancos retiram recursos da facilidade de depósito
Foi, porém, na Facilidade Permanente de Depósito que se registou um dos movimentos mais expressivos do período.
A 10 de Setembro, os bancos comerciais mantinham 4,17 mil milhões de Meticais depositados nesta facilidade do Banco de Moçambique. No dia seguinte, o montante caiu para 3,58 mil milhões.
A redução prosseguiu nos boletins seguintes: 2,59 mil milhões de Meticais a 14 de Setembro e apenas 1,80 mil milhões no dia 15.
Entre a primeira e a última observação, desapareceram desta facilidade aproximadamente 2,38 mil milhões de Meticais, uma queda próxima de 57%.
O mesmo movimento é visível nos Bilhetes do Tesouro associados à Facilidade Permanente de Depósito. O respectivo montante baixou de 4,37 mil milhões para 1,83 mil milhões de Meticais.
Os números mostram, assim, que uma parcela progressivamente menor da liquidez disponível permaneceu aplicada junto do Banco Central durante os dias analisados.
Crédito de curtíssimo prazo continua activo
Enquanto diminuíam os recursos depositados no Banco de Moçambique, a redistribuição de dinheiro entre instituições financeiras continuou activa.
Nas operações repo realizadas entre bancos comerciais, os montantes movimentados oscilaram entre 1,2 mil milhões e 1,43 mil milhões de Meticais. No dia 15 de Setembro, estas operações fecharam em 1,365 mil milhões.
Apesar das oscilações nos montantes, o preço do dinheiro não mudou. A taxa média ponderada das operações repo permaneceu em 9,25% durante todo o período.
A Facilidade Permanente de Cedência apresentou igualmente movimento. O montante passou de 2,6 mil milhões de Meticais, no dia 10, para 3,1 mil milhões no dia seguinte, antes de recuar para 2,9 mil milhões, nível em que se manteve a 15 de Setembro.
A combinação dos três indicadores — recurso às facilidades de cedência, operações repo e redução dos depósitos mantidos no Banco Central — retrata um sistema bancário a redistribuir activamente liquidez para responder às diferenças existentes entre instituições.
Bancos reforçam compras de dólares
A movimentação foi ainda mais evidente no mercado cambial.
No segmento específico do dólar, as compras realizadas pelos bancos junto do público mais do que duplicaram entre 10 e 11 de Setembro, passando de US$ 15,36 milhões para US$ 31,57 milhões.
A 14 de Setembro, atingiram US$ 44,78 milhões, o valor mais elevado das quatro observações, antes de recuarem para US$ 33,11 milhões no dia 15.
As vendas também oscilaram, mas existe um elemento comum a todos os dias analisados: os bancos terminaram sempre com uma posição líquida compradora de dólares.
A 10 de Setembro, compraram US$ 15,36 milhões e venderam US$ 11,10 milhões, deixando um saldo comprador de US$ 4,26 milhões. No dia seguinte, as compras atingiram US$ 31,57 milhões, contra vendas de US$ 15,48 milhões, produzindo um saldo positivo de US$ 16,09 milhões.
A 14 de Setembro, foram adquiridos US$ 44,78 milhões e vendidos US$ 38,70 milhões, resultando numa posição líquida compradora de US$ 6,08 milhões.
No último dia observado, 15 de Setembro, os bancos compraram US$ 33,11 milhões e venderam US$ 16,80 milhões. O saldo líquido comprador atingiu então US$ 16,30 milhões.
Somadas as quatro observações, as instituições bancárias adquiriram aproximadamente US$ 124,8 milhões ao público e venderam cerca de US$ 82,1 milhões.
A diferença deixou os bancos com um saldo líquido comprador próximo de US$ 42,7 milhões, segundo os dados diários constantes dos boletins do Banco de Moçambique.
Metical permanece praticamente imóvel
O forte movimento registado nas transacções cambiais não encontrou correspondência na cotação da moeda norte-americana.
Durante os quatro boletins analisados, a taxa de referência permaneceu inalterada: 63,27 Meticais por dólar na compra e 64,54 Meticais na venda, correspondendo a uma taxa média de 63,91 MZN/US$.
Nos bancos comerciais, as alterações foram igualmente reduzidas.
A taxa média oscilou apenas entre 63,94 e 64,10 Meticais por dólar, terminando o período nos 63,94 MZN/US$.
Significa que, apesar do aumento e das oscilações nos volumes de moeda estrangeira transaccionados, não ocorreu, durante este intervalo, uma alteração material da cotação do dólar praticada pelo sistema bancário.
Casas de câmbio oscilam mais
Fora dos bancos comerciais, o cenário apresentou maior volatilidade.
Nas casas de câmbio, a taxa média situava-se em 70,51 MZN/US$ no dia 10 de Setembro. Um dia depois, caiu para 69,29 Meticais.
A 14 de Setembro, voltou a subir, alcançando 70,79 Meticais por dólar, antes de recuar novamente para 69,20 Meticais no dia 15.
As oscilações mantiveram um diferencial significativo entre a taxa média praticada pelas casas de câmbio e aquela observada no sistema bancário.
O comportamento dos dois segmentos foi, assim, distinto: enquanto as casas de câmbio registaram movimentos mais pronunciados, os bancos comerciais atravessaram o período com relativa estabilidade cambial.
Estado mantém carteira totalmente utilizada
Nos Bilhetes do Tesouro, a estabilidade foi ainda mais evidente.
O valor descontado pelo Estado permaneceu em 154,07 mil milhões de Meticais durante todo o período analisado. O saldo em dívida manteve-se exactamente no mesmo montante, correspondendo a uma proporção de 100%.
Também praticamente não houve alteração na posição dos bancos no mercado primário de Bilhetes do Tesouro.
Entre 10 e 15 de Setembro, o montante passou de aproximadamente 144,15 mil milhões para 144,20 mil milhões de Meticais.
Mais dinheiro em movimento, taxas sem mudança
Os números dos quatro boletins desenham, no conjunto, um mercado com maior circulação e redistribuição interna de recursos, mas sem mudanças relevantes nas principais taxas de curto prazo.
O défice de liquidez em moeda nacional diminuiu de 6,66 mil milhões para 4,83 mil milhões de Meticais, enquanto os recursos mantidos na Facilidade Permanente de Depósito caíram cerca de 57%.
Ao mesmo tempo, os bancos continuaram a utilizar as operações repo e as facilidades de cedência do Banco Central, num período em que também reforçaram a aquisição líquida de moeda norte-americana junto do público.
Nem essa maior movimentação, nem o saldo líquido comprador de aproximadamente US$ 42,7 milhões, foram suficientes para provocar uma alteração relevante na taxa de câmbio praticada pelo sistema bancário.
Entre 10 e 15 de Setembro, o retrato deixado pelos indicadores é, por isso, marcado por dois movimentos simultâneos: mais liquidez e divisas a circular entre os diferentes intervenientes, enquanto o preço do dinheiro e a cotação bancária do dólar permanecem praticamente estáveis.
