Naquele dia, durante uma visita à Macaneta, poucos dias antes de o caos da pandemia se instalar, fui invadido por uma sensação que nunca tinha sentido antes. Um orgulho estranho e inesperado ao ver esvoaçar ao sabor do vento uma bandeira que não era a minha.
Naquele instante percebi que Moçambique já não era apenas aquele país africano pelo qual alguém se apaixona facilmente. Moçambique tinha-se tornado casa. A minha casa.
Ainda hoje continuo a perder-me pelos seus cantos e recantos. A cada viagem que o atravessa, vou aprendendo uma ínfima parte da infinidade dos seus usos, costumes e silêncios.
E, nesse aprendizado sem fim, uma verdade torna-se cada vez mais firme dentro de mim: serei sempre um estrangeiro na minha própria casa.
