Moçambique tem-me oferecido oportunidades que dificilmente encontraria em qualquer outro lugar do mundo. São experiências tão intensas, tão humanas, que não se perdem facilmente nos recantos infinitos da memória.
Algumas dessas memórias não são, à primeira vista, particularmente marcantes do ponto de vista visual. Mas a memória tem caminhos curiosos. Às vezes é apenas um som ou uma voz distante, que abre uma porta no tempo. É então que volto à escola de Mussapa, ali mesmo na orla do Parque Nacional de Chimanimani.
Mais do que a melodia, é o peso das palavras que fica suspenso no ar. Há nelas uma verdade tão crua e tão profunda que, para quem escuta com atenção, é difícil permanecer indiferente.
Consigo ouvir novamente
aqueles meninos — sobretudo
meninas — a cantar:
Qual é o maior desafio da educação?
É reter a rapariga na escola. Avante!
Avante com os campos de leitura.
Abaixo o casamento prematuro.
Fotografia e texto por:
Mariano Silva
