A polícia de investigação criminal moçambicana lançou um novo aviso aos vendedores de peças e acessórios automóveis de origem duvidosa. Desta vez, o tom endureceu. O Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic) anunciou hoje que passará a deter todos os indivíduos encontrados a comercializar componentes roubados de viaturas, numa tentativa de travar um fenómeno que continua a alimentar o mercado clandestino em Maputo.
Num comunicado divulgado esta segunda-feira, o Sernic reconhece que, apesar das operações realizadas nos últimos meses, o roubo e furto de peças automóveis persistem com sinais claros de reincidência.
“Desde a primeira operação, realizada a 28 de fevereiro, foram registados avanços significativos. Contudo, persistem casos de reincidência na prática de crimes de roubo e furto de peças e acessórios de viaturas”, refere a instituição, apontando ainda a existência de redes envolvidas na receção e comercialização destes bens ilícitos.
As autoridades acreditam que a continuidade destes crimes está directamente ligada à existência de compradores e vendedores que alimentam o circuito ilegal, permitindo que o negócio prospere nos mercados informais da capital moçambicana.
Nos últimos meses, o Sernic intensificou as incursões em pontos considerados críticos para a venda de material roubado. Em março, uma operação semelhante terminou com a detenção de pelo menos 44 pessoas, entre as quais 42 cidadãos nigerianos, por não conseguirem justificar a proveniência dos produtos que comercializavam.
Grande parte das apreensões ocorreu no mercado informal Estrela, em Maputo, frequentemente apontado pelas autoridades como um dos principais centros de circulação de peças automóveis de origem suspeita.
Poucas semanas antes, a 28 de fevereiro, a polícia de investigação já havia realizado uma das maiores operações do género no sul de Moçambique. Na ocasião, foram apreendidas cerca de 70 toneladas de acessórios roubados em três mercados negros da capital, enquanto 15 suspeitos acabaram detidos.
Perante a continuação destes crimes, o Sernic garante agora que as futuras operações terão um alcance mais severo. Além da apreensão dos bens, as autoridades prometem avançar com processos legais imediatos contra todos os cidadãos encontrados a comercializar produtos furtados.
Segundo o comunicado, os suspeitos poderão responder criminalmente por crimes de recetação e auxílio material.
“O Sernic reafirma o seu compromisso firme no combate a estes crimes, garantindo uma atuação rigorosa e intransigente perante os prevaricadores”, sublinha a instituição, apelando igualmente à população para que evite qualquer envolvimento na compra, venda ou ocultação de bens de origem ilícita.
