A província de Manica testemunhou, esta quarta-feira (22), uma injecção de 63 milhões de meticais – cerca de um milhão de dólares – no seu tecido produtivo agrícola. A quantia foi distribuída pela organização não-governamental Mangwana, que entregou cheques a 17 Pequenas e Médias Empresas (PMEs) agrícolas comerciais e 207 pequenos produtores da região, num impulso económico que visa fomentar a produção agrícola sustentável e fortalecer a cadeia de valor ao longo do corredor da Beira.
O financiamento, cujos cheques variam entre 1.800.000 e 10,2 milhões de meticais, foi atribuído no âmbito do Fundo de Subvenção do programa Mangwana, lançado em 2024 com o objectivo de promover o crescimento inclusivo do agronegócio. O distrito de Báruè destaca-se entre os beneficiários, com 17 produtores apoiados.
Segundo Augusto Jaime, director do programa Mangwana, os apoios têm como foco culturas de rendimento voltadas para a comercialização e assentam sobre três pilares: assistência a pequenos produtores, desenvolvimento do sector privado e melhoria do ambiente de negócios.
Jaime explicou que os investimentos variam consoante as necessidades de cada beneficiário. Para os pequenos produtores, o tecto máximo de apoio é de 210 mil meticais, maioritariamente aplicados na aquisição de motobombas, tubagens e tanques de água – equipamentos essenciais para fazer frente aos desafios das alterações climáticas. Já para produtores e PMEs, os apoios podem ascender a 2,1 milhões de meticais.
A selecção dos beneficiários resultou de um processo competitivo iniciado em 2024, com 175 candidaturas submetidas: 139 para o fundo de crescimento e 36 para negócios inclusivos. Um comité de investimentos, composto por membros dos sectores público e privado, aprovou as 17 propostas de empresas e os 207 produtores individuais agora financiados.
A iniciativa conta com o apoio da Embaixada do Reino dos Países Baixos e de um consórcio liderado pela TechnoServe, que integra ainda a Resilience, a Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze e a Agência de Desenvolvimento de Manica (ADEM). O director de Assistência Técnica e Financeira do Vale do Zambeze, Nelson António, destacou o papel central do sector privado na geração de renda ao longo do corredor da Beira.
Durante a cerimónia de entrega, realizada na vila de Catandica, distrito de Báruè, a governadora provincial, Francisca Tomás, agradeceu ao consórcio Mangwana e destacou que os equipamentos beneficiarão directamente produtores dos distritos de Chimoio, Manica, Vanduzi, Sussundenga, Gondola, Báruè e Macate. Sublinhou ainda que a melhor forma de retribuir o apoio é com uma aposta firme na produção agrícola sustentável e resiliente.
Tomás apelou a uma melhor coordenação entre os intervenientes do sector agrário, de modo a evitar sobreposição de apoios e garantir que um maior número de produtores tenha acesso aos recursos disponíveis. Reafirmou ainda o compromisso do governo em continuar a mobilizar apoios para o sector, com vista a aumentar a competitividade agrícola a nível regional e internacional.
O encerramento desta primeira fase do programa marca o início da preparação para a segunda janela de financiamento, que deverá abranger um número ainda mais vasto de produtores e empresas, e promete criar mais de mil novos postos de trabalho, elevando o potencial agrícola de Manica a novos patamares.
