O Malawi iniciou a importação de açúcar produzido em Moçambique como medida para responder à crise de escassez que assola o país. Esta decisão surge no contexto de uma crise que levou à emissão de 20 licenças pelo Ministério da Indústria e Comércio do Malawi a várias empresas locais, autorizando-as a importar açúcar não só de Moçambique, mas também do Zimbabwe, África do Sul e Brasil.
A liberalização do mercado de açúcar pelo governo malawiano ocorre num momento em que as duas únicas empresas produtoras locais viram a sua capacidade de produção diminuída. Os desafios enfrentados por estas empresas devem-se, em grande parte, às alterações climáticas que têm impactado negativamente a sua cadeia de produção. Desde Janeiro, o Malawi tem vivido uma crise acentuada de falta de açúcar nos mercados nacionais, provocando um aumento exponencial dos preços. O preço por quilo do açúcar subiu de 1700 kwachas (aproximadamente 64 meticais) para 3000 kwachas (cerca de 115 meticais), levando a um descontentamento generalizado entre os consumidores.
Perante este cenário, o governo do Malawi, através do ministério da Indústria e Comércio, optou pela liberalização do mercado como estratégia para aumentar a oferta e, consequentemente, reduzir o preço do açúcar para o consumidor. Esta decisão mantém-se firme, apesar das objecções das duas empresas produtoras locais, que até então detinham o monopólio do mercado.
Sosten Gwengwe, ministro da Indústria e Comércio, reforçou que o governo não tem intenções de reverter a decisão, visando promover maior competitividade comercial. Adicionalmente, o governo tomou medidas contra a especulação de preços, tendo encerrado sete estabelecimentos comerciais por sobrefacturação.
John Kapito, director executivo da associação dos consumidores do Malawi, aplaudiu a decisão governamental, destacando-a como um passo positivo contra a monopolização do mercado, que descreveu como "um autêntico calvário para o povo".
