A dívida externa de Moçambique, até ao final de Junho, revela que mais de 20% deste valor foi contraído junto da China e de Portugal. Estes dois países, juntos, representam quase 2.000 milhões de euros da dívida moçambicana, de acordo com informações recentes de um relatório governamental.

Segundo o documento do Ministério da Economia e Finanças de Moçambique, o país registou, no final do primeiro semestre, um montante de dívida pública externa superior a 10.215 milhões de dólares. Este valor representa uma diminuição de 2,9% em comparação com o primeiro trimestre do ano. Do montante total, 52,1% refere-se a dívidas contraídas junto de credores multilaterais, ascendendo a 5.326 milhões de dólares, o que se traduz num aumento de 6,5% em relação ao trimestre anterior. Deste valor, 3.045 milhões de dólares são provenientes de financiamentos da Associação Internacional de Desenvolvimento, integrante do grupo Banco Mundial.

Por outro lado, os credores bilaterais representam 39% da dívida pública externa de Moçambique, num total de 3.988 milhões de dólares até ao final de Junho. A China, sozinha, é responsável por 15,8% deste montante, o que equivale a mais de 1.616 milhões de dólares. Portugal, por sua vez, representa 4,4% da dívida, num total de 452,3 milhões de dólares, tendo registado uma redução de 4,7% em apenas três meses.

Além da China e Portugal, outros países também figuram como credores bilaterais de Moçambique. A Líbia, por exemplo, tem um crédito de 253,3 milhões de dólares, enquanto Angola detém 61,4 milhões de dólares. O Brasil e a Rússia também fazem parte desta lista, com valores de 47,4 milhões e cerca de 56 milhões de dólares, respectivamente.

Estes números reflectem a complexidade e diversidade das relações financeiras de Moçambique no cenário internacional, bem como os desafios que o país enfrenta na gestão da sua dívida externa.